Sobre a boba sacralização da leitura
18 3 2008 por Alessandro Martins
· 8 comentários
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Eis o que escreve João Varella no Blog Curitibocas:
Sacralizar a leitura com um objeto certo, um momento certo e um método certo para ler é bobagem. Emprego aqui “leitura” no sentido amplo. Lê quem ouve música com atenção ou observa uma obra com cuidado. Desde que exista uma reflexão além da simples absorção do conhecimento/informação, já há um ato de leitura. O suporte livro é maravilhoso. CDs, DVDs, telas, gibis, LP, entre outros, também.
Nesse pensamento, sou irmão do João. Chego a ficar irritado com o personagem que ele descreve em sua narrativa.
A sacralização do ato da leitura serve mais para matar futuros leitores do que para criar novos.
Vou ser sincero. Leio mais como quem vai à zona do que como quem vai à igreja.
Em certas tradições, o livro simboliza o mundo: de fato o mundo cabe no livro e, sob certo ponto de vista, é lido. Leva-se uma vida inteira para lê-lo e não se chega ao final.
Ler não corresponde, de fato, como observa o João, a um tempo e a um lugar ou mesmo a um objeto. Vai muito além.
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De repente, uma frase - O meu amigo André, do Lendo.org, convidou-me a uma brincadeira que lembrou-me de meus tempos de LiveJournal.
A brincadeira diz o seguinte: abra o livro que estiver mais próximo na página 61 e transcreva a quinta frase completa.
Ei-la:
Retornando ao nosso tema, a passagem apresenta o cláss...Pesquisa sobre os hábitos de leitura - A Jacqueline Lafloufa, do Pensamenteando, está fazendo uma pesquisa sobre hábitos de leitura.
O objetivo dela é verificar se algumas afirmativas do senso comum - que dizem que hoje em dia as pessoas lêem mais na internet que por outros meios - são verdadeiras.
Responda à pesquisa sobre ...Sobre a obrigatoriedade da leitura - Tudo o que é obrigatório é um pé no saco.
Veja o que diz Pierre Bayard, autor de Como Falar de Livros Que Não Lemos sobre isso:
Quase todo mundo defende que uma pessoa precisa ler muito, mas nem todos lêem? Por quê?
É justamente essa obrigação de ter que ler que nos impede de chegar...
Tags: Livros são divertidos
8 comentários até agora ↓
1 Rafael // 18 3 2008 às 21:02
Dá-lhe! É contra isso que nos batemos!
Abraço, abraço.
2 Flávia // 19 3 2008 às 1:12
Alessandro, eu acho que não tenho muitos preconceitos desse tipo. Leio inclusive todo o tipo de bobagem na televisão, acho que tudo pode se prestar à “práxis simbólica”, ao exercício do pensamento e da crítica. Leio até Veja! E confesso que às vezes fico irritada quando o médico não me dá tempo nem de terminar a minha Cláudia ou a minha Caras, que só encontro nos consultórios.
Mas vamos combinar: não há nada como o objeto livro. Para mim há sim um verdadeiro fetiche em torno dele: a forma, o peso, a textura da capa, a capa, a gramatura da página, o cheiro do livro novo, o cheiro do livro velho…
E as dedicatórias, os sublinhados e comentários na margem, o preço antigo…
Aiai, eu adoro! E nada se compara a isso!
bjs, f
3 Simone // 19 3 2008 às 1:55
Eu leio muito no metrô. Muitas vezes estou lendo mangá e sinto a velhinha ao lado pensar “hunf! juventude perdida”. Muitas vezes também estou lendo um livro grosso e intimidante e sinto a pessoa ao lado pensar “hunf! exibida”. Também adoro ler Turma da Mônica. Leio o que quero quando dá na telha.
A única vez em que deliberadamente peguei um livro para impressionar foi quando fui me candidatar a uma vaga de estágio numa editora. Mesmo assim, o tiro saiu pela culatra, pois fiquei lendo Nabokov na sala de espera e eles queriam alguém para a editoria nacional… :-)
4 Thássius V' // 19 3 2008 às 6:07
Como a Simone, também leio muito no metrô. Ou lia. Já que agora, devido ao horário que saio de casa, é inviável ficar segurando um livro no vagão. É quase inviável *eu* estar naquele vagão, já que tem uma lei da física que fiz que dois corpos não ocupam mesmo lugar no espaço.
Ultimamente eu tenho me dedica a ouvir podcasts. Tem de tudo um pouco; desde programas de jornais e revistas, até programetes feitos por blogueiros.
5 João Varella // 19 3 2008 às 22:47
É isso, Alessandro. Usarei em ocasiões futuras a metáfora da “zona” e da “igreja”. Boa síntese.
Darei os devidos créditos, obviamente.
6 João Barreto // 20 3 2008 às 15:01
“Leio mais como quem vai à zona do que como quem vai à igreja.” Hahaha :-)
A escola brasileira acaba com todo prazer de ler. Quer coisa mais desestimulante do que ler sem vontade, por mera e pura obrigação? do que ler e ter de fazer relatório? do que ler e ter de decorar o nome de todos personagens? do que ler Camões porque ele sim era O poeta? aff.
7 Alessandro Martins // 21 3 2008 às 8:07
João,
sempre digo que uma boa é proibir o livro. Aí todo mundo ia atrás dele :-)
8 Esdras // 23 3 2008 às 13:05
Quase tive vontade de tatuar essa frase na testa de tão boa: “A sacralização do ato da leitura serve mais para matar futuros leitores do que para criar novos”.
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