Sou em geral condescendente com adaptações de livros para o cinema.
Não espero ver cada uma das passagens transpostas para a tela com precisão.
Isso é coisa para pottermaníacos.
Por exemplo, uma das adaptações para cinema mais geniais: O Iluminado, de Kubrick, pouco tem a ver com o livro O Iluminado, de Stephen King.
Ou Apocalypse Now, de Copolla, que saiu de O Coração das Trevas, de Conrad.
Empolgado com a leitura de Os Três Mosqueteiros, resolvi pegar na locadora a versão cinematográfica do livro de Alexandre Dumas.
Não havendo a versão que assisti na infância, de 1973, tive que me contentar com a de 1993, com Chris O’Donnel no papel de d’Artagnan.
Bem… O’Donnel - do elenco de Risco Vertical e de Batman e Robin - não é conhecido por estar em obras-primas da sétima arte. E a versão de Os Três Mosqueteiros de que participa é mais parecida com A Noviça Rebelde do que com o famoso romance de capa e espada. Digamos que a história sofreu adaptações, mas essas não representaram um ganho na transposicão do enredo para a tela.
Sugiro que, se tiverem a oportunidade, assistam à versão de 1973 que, se não me falha a memória, além de ser mais fiel a Dumas, tem adaptações que trouxeram ganhos à história. Curiosamente, o cartaz do filme traz a mesma ilustração da capa da edição que ora leio.
Para terem uma idéia da diferença entre as duas obras, basta dar uma olhada nas sinopses e no elenco.
Eis o de 1973:
Após ser treinado pelo pai, o jovem D’Artagnan (Michael York) ruma para Paris sonhando se tornar um mosqueteiro do rei. Já no caminho é ridicularizado, devido à sua inexperiência, por Rochefort (Christopher Lee), o braço direito do cardeal Richelieu (Charlton Heston), que usa sua enorme influência para governar a França indiretamente através do rei. D’Artagnan nada sabe sobre isto e quer apenas demonstrar seu valor. Ele fica tão ansioso que acaba se desentendendo com três espadachins, Athos (Oliver Reed), Porthos (Frank Finlay) e Aramis (Richard Chamberlain), sem imaginar que eles são os mosqueteiros do rei. D’Artagnan marca três duelos com eles, mas antes que os confrontos aconteçam os quatro enfrentam membros da guarda do cardeal e, assim, ficam amigos. Em razão da rainha estar muito apaixonada pelo Duque de Buckingham (Simon Ward), um nobre inglês, ela fica numa situação muito delicada e Richelieu quer usar isto para aumentar seu poder. Assim D’Artagnan terá a chance de impedir as maquinações do cardeal e mostrar seu valor.
E o de 1993:
Ignorando que os Mosqueteiros do Rei, em virtude de uma manobra política que visa obter o trono da França, não mais existem, o jovem D’Artagnan (Chris O’Donnell) planeja tornar-se um mosqueteiro. Em sua aventura conhece mosqueteiros leais ao rei, que acabam descobrindo o plano do cardeal Richelieu (Tim Curry) de matar o rei da França.
Quem conhece um pouco do livro, sabe que ele não é exatamente uma luta do bem contra o mal e os mosqueteiros estão mais para um bando de folgados brigões do que para cavaleiros jedi servidores da força.
Considero que respeitar o enredo é menos importante que preservar as idéias presentes em um livro. Mas o filme de 1993 não faz nenhuma das duas coisas.
Aproveitando o assunto, você pode ver uma lista de 23 filmes que, segundo o site EW, decepcionaram em relação aos livros que os originaram.
E, se você gosta mesmo do tema, uma boa idéia é assistir ao excelente filme Adaptação, de Spike Jonze. Afinal, como adaptar um livro de botânica - sobre flores, mas especificamente -, para o cinema?