Clipes simpáticos de bibliotecários

6 5 2008 por Alessandro Martins · 4 comentários

Eles são tosquinhos, mas até simpatiquinhos.

As bibliotecas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, tem alguns clipes com musicas… ahn… motivacionais?… para bibliotecários.

Na verdade, a idéia ao que parece é mostrar os serviços que a biblioteca pode prestar aos usuários.

Porém, há pérolas como esta:

A impressão que dá é que a iniciativa de fazer os clipes foi dos próprios funcionários.

Estou falando, minha gente. Existe muitos bibliotecários - e bibliotecárias, claro - simpáticos por aí.

Eles não são mais aqueles carinhas chatos que carimbavam fichas e cobravam multas.

→ 4 comentários Tags: Bibliotecas · Vídeo

O riso e os títulos de dramas e comédias

6 5 2008 por Alessandro Martins · 2 comentários

Muito interessante o livrinho de Bergson sobre o riso.

Ainda nas primeiras páginas quando apresenta o tema de maneira um tanto despretensiosa já banha a leitura com uma série de sacadas.

Por exemplo, eu nunca tinha parado para pensar sobre as circunstâncias que inspiram que o título de um drama ou de uma comédia seja este e não aquele.

Sem dúvida há vícios nos quais a alma se instala profundamente com tudo o que traz em si de pujança fecundante, carregando-os, vivificados, num círculo móvel de transfigurações. Esses são os vícios trágicos. Mas o vício que nos tornará cômicos é, ao contrário, aquele que nos é trazido de fora como uma moldura pronta na qual nos inseriremos. Ele nos impõe sua rigidez, em vez de tomar-nos a maleabilidade. Não o complicamos: é ele, ao contrário, que nos simplifica. Aí precisamente parece estar a diferença entre a comédia e o drama. Um drama, mesmo quanto retrata paixões ou vícios que têm nome, incorpora-os tão bem na personagem que esses nomes são esquecidos, que suas características gerais se apagam, e que já não pensamos neles, mas sim na pessoa que os absorve; por isso é que o título de um drama quase não pode deixar de ser um nome próprio. Ao contrário, muitas comédias têm o nome de um substantivo comum: O Avarento, O Jogador etc.

Por isso, não faria sentido O Avarento, de Moliére, levar o nome de seu pergonagem principal, Harpagon.

Nem Otelo, de Shakespeare, poderia se chamar O Ciumento.

É que o vício cômico pode unir-se às pessoas tão intimamente quanto se queira, mas nunca deixará de conservar existência independente e simples; continua sendo personagem central, invisível e presente, do qual as personagens de carne e osso ficam suspensas em cena.

→ 2 comentários Tags: O prazer de ler

Entenda o inferno usando uma refeição pesada

5 5 2008 por Alessandro Martins · 7 comentários

Sartre já disse que o inferno são os outros. E nada mais prático para quem só tem o agora para viver - e nenhum outro tempo ou lugar possível - e para quem tenta ser responsável por todos os seus atos e escolhas.

Afinal, o francês era existencialista.

Na verdade, seria mais coerente com tal filosofia se ele tivesse dito que cada um cria o seu próprio inferno. Mas, enfim, não foi exatamente Sartre quem disse isso: a frase está em uma peça de teatro e foi dita por um personagem.

Mas pode ser que a resposta para o temido destino pós-morte seja mais simples do que parece:

O capeta pode estar nos sonhos após comer uma feijoada, à noite, antes de dormir.

→ 7 comentários Tags: Ética

O Riso, por Henri Bergson

5 5 2008 por Alessandro Martins · 2 comentários

A Júlia tem me apresentado, aos poucos, ao seu filósofo preferido, Henri Bergson.

E , em um de seus livros, o francês especula sobre o riso.

(Se não quiser saber detalhes da trama de O Nome da Rosa, pule os dois seguintes parágrafos.)

Interessante, pois em O Nome da Rosa, de Umberto Eco, há o monge cego que cuida da biblioteca - claramente uma homenagem ao argentino Jorge Luis Borges - e toda a trama gira em torno de um suposto livro de Aristóteles que trata da Comédia.

O tal monge cego, então decide acabar com todos aqueles que, curiosos, entrassem em contato com o livro por julgar que o riso aproximava o homem mais dos bichos que do divino. Na época, inclusive, havia uma discussão para saber se Cristo sorria ou não.

Mas eis o que nos diz Bergson em seu livro:

Não há comicidade fora daquilo que é propriamente humano. Uma paisagem poderá ser bela, graciosa, sublime, insignificante ou feia; nunca será risível. Rimos de um animal, mas por termos surpreendido nele uma atitude humana ou uma expressão humana. Rimos de um chapéu; mas então não estamos gracejando com o pedaço de feltro ou de palha, mas com a forma que os homens lhe deram, com o capricho humano que lhe serviu de molde. Como um fato tão importante, em sua simplicidade, não chamou mais a atenção dos filósofos? Vários definiram o homem como “um animal que sabe rir”. Poderiam também tê-lo definido como um animal que faz rir, pois, se algum outro animal ou um objeto inanimado consegue fazer rir, é devido a uma semelhança com o homem, à marca que o homem lhe imprime ou ao uso que o homem lhe dá.

Ora, meu caro. Abrir mão do riso - e de fazer rir -, então, é abrir mão de uma das coisas que nos torna mais humanos.

Uma carranca ou então inspirar seriedade nos outros sim é algo que nos aproxima mais do irracional e nos afasta do divino, até mesmo do papel de gente que mal e mal conseguimos desempenhar.

Por isso, meu bem, não chore: hoje tem filme de Carlitos.

→ 2 comentários Tags: O prazer de ler

Sofríveis adaptações de livros para o cinema

2 5 2008 por Alessandro Martins · 14 comentários

Sou em geral condescendente com adaptações de livros para o cinema.

Não espero ver cada uma das passagens transpostas para a tela com precisão.

Isso é coisa para pottermaníacos.

Por exemplo, uma das adaptações para cinema mais geniais: O Iluminado, de Kubrick, pouco tem a ver com o livro O Iluminado, de Stephen King.

Ou Apocalypse Now, de Copolla, que saiu de O Coração das Trevas, de Conrad.

Empolgado com a leitura de Os Três Mosqueteiros, resolvi pegar na locadora a versão cinematográfica do livro de Alexandre Dumas.

Não havendo a versão que assisti na infância, de 1973, tive que me contentar com a de 1993, com Chris O’Donnel no papel de d’Artagnan.

Bem… O’Donnel - do elenco de Risco Vertical e de Batman e Robin - não é conhecido por estar em obras-primas da sétima arte. E a versão de Os Três Mosqueteiros de que participa é mais parecida com A Noviça Rebelde do que com o famoso romance de capa e espada. Digamos que a história sofreu adaptações, mas essas não representaram um ganho na transposicão do enredo para a tela.

Sugiro que, se tiverem a oportunidade, assistam à versão de 1973 que, se não me falha a memória, além de ser mais fiel a Dumas, tem adaptações que trouxeram ganhos à história. Curiosamente, o cartaz do filme traz a mesma ilustração da capa da edição que ora leio.

Para terem uma idéia da diferença entre as duas obras, basta dar uma olhada nas sinopses e no elenco.

Eis o de 1973:

Após ser treinado pelo pai, o jovem D’Artagnan (Michael York) ruma para Paris sonhando se tornar um mosqueteiro do rei. Já no caminho é ridicularizado, devido à sua inexperiência, por Rochefort (Christopher Lee), o braço direito do cardeal Richelieu (Charlton Heston), que usa sua enorme influência para governar a França indiretamente através do rei. D’Artagnan nada sabe sobre isto e quer apenas demonstrar seu valor. Ele fica tão ansioso que acaba se desentendendo com três espadachins, Athos (Oliver Reed), Porthos (Frank Finlay) e Aramis (Richard Chamberlain), sem imaginar que eles são os mosqueteiros do rei. D’Artagnan marca três duelos com eles, mas antes que os confrontos aconteçam os quatro enfrentam membros da guarda do cardeal e, assim, ficam amigos. Em razão da rainha estar muito apaixonada pelo Duque de Buckingham (Simon Ward), um nobre inglês, ela fica numa situação muito delicada e Richelieu quer usar isto para aumentar seu poder. Assim D’Artagnan terá a chance de impedir as maquinações do cardeal e mostrar seu valor.

E o de 1993:

Ignorando que os Mosqueteiros do Rei, em virtude de uma manobra política que visa obter o trono da França, não mais existem, o jovem D’Artagnan (Chris O’Donnell) planeja tornar-se um mosqueteiro. Em sua aventura conhece mosqueteiros leais ao rei, que acabam descobrindo o plano do cardeal Richelieu (Tim Curry) de matar o rei da França.

Quem conhece um pouco do livro, sabe que ele não é exatamente uma luta do bem contra o mal e os mosqueteiros estão mais para um bando de folgados brigões do que para cavaleiros jedi servidores da força.

Considero que respeitar o enredo é menos importante que preservar as idéias presentes em um livro. Mas o filme de 1993 não faz nenhuma das duas coisas.

Aproveitando o assunto, você pode ver uma lista de 23 filmes que, segundo o site EW, decepcionaram em relação aos livros que os originaram.

E, se você gosta mesmo do tema, uma boa idéia é assistir ao excelente filme Adaptação, de Spike Jonze. Afinal, como adaptar um livro de botânica - sobre flores, mas especificamente -, para o cinema?

→ 14 comentários Tags: Cinema · O prazer de ler · O prazer de ver