O plural de kenning é kenningar. Eu sei. E o que é que você tem a ver com isso?
É que kenning é uma metáfora usada na poesia nórdica para possibilitar as aliterações (os poetas nórdicos antigos não usavam rimas).
Um dos admiradores dessa figura de linguagem, bem como da antiga poesia nórdica, era Jorge Luis Borges, o escritor argentino.
Eu falei sobre kenning ou kenningar duas vezes por aqui:
E, como você pode ver, nos títulos, em ambas as ocasiões eu usei o plural de forma errada. Enfim, quando não se conhece uma língua é normal se cometer erros desse tipo. Em sânscrito, por exemplo, o correto é o yôga - em gênero masculino - e a kundaliní - em gênero feminino. E as pessoas costumam fazer justamente o contrário.
Mas, enfim, descobri que o plural, de kenning é kenningar em um artigo do blog Universo Fantástico.
O autor do artigo, Bráulio Tavares, inteligentemente descobre as curiosas kennings (desculpe, kenningar) brasileiras:
As kenningar não são estranhas ao processo espontâneo de fabricação de clichês em nossa língua brasileira, e não me refiro às elucubrações literárias, mas à língua das esquinas, dos botequins e dos radinhos de pilha. Todos nós sabemos que quando o esquadrão da Gávea adentra o tapete verde do templo do futebol, é para ensinar ao onze cruzmaltino, pó-de-arroz ou da estrela solitária como se pratica o esporte bretão dentro das quatro linhas.
Um amigo meu certa vez falou de um locutor de rádio que, durante a paralização de um jogo assim disse: “E adentra o tapete verde o facultativo esmeraldino”.
Quer dizer que o médico do Palmeiras havia entrado em campo.
Tapete verde, gramado.
Esmeraldino, do palmeiras.
E facultativo, médico.
Porque médico tem faculdade.
2 comentários até agora ↓
1 Sergio Grigoletto // 25 10 2008 às 11:06
Adorei um “palmeiras” que tem pelo post. Se você corrigir, perde um amigo!
2 Corinthians de volta à Série A! // 28 10 2008 às 12:55
[...] em 25 de Outubro de 2008 o Corinthians volta para elite e o “Parmeras” toma de 3 do [...]
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