Semana passada eu publiquei uma fotografia de uma estante de livros no que parecia ser o terreno de um castelo, ao ar livre. A foto era intrigante e todos ficaram imaginando quem colocaria sua biblioteca sobre o gramado.
A resposta foi dada pelo Jefferson: trata-se de Hay-On-Wye.
É uma pequena cidade do País de Gales, com 1200 habitantes, eque tem mais sebos que o Rio de Janeiro inteiro (só para usar o exemplo de uma cidade grande).
Em algumas das lojas de livros de segunda-mão, aqueles que não vendem de jeito nenhum vão parar nas estantes ao ar livre. Você pega o livro que quiser e deixa o pagamento por ali mesmo.
Por exemplo, veja esta foto, muito parecida com a que eu publiquei na semana passada.

A legenda é mais interessante que a própria foto: “Hay Castle. Vê-se a parte em ruínas do castelo. Quinze segundos antes de eu tirar essa foto, tinha um cachorro mijando na estante de baixo. Infelizmente, demorei demais e o mijão saiu.”
Encontrei um texto sobre Hay-on-Wye. Leia um trecho:
O morador da cidade se orgulha ao ver que o antigo cinema não foi transformado em salão de bingo ou em supermercado. No jardim da Hay Cinema Bookshop há mais atrações em cartaz: uma livraria a céu aberto, na qual cada livro custa 50 pence (ou 82 centavos), formada de caixas de metal que apenas à noite são fechadas. Ainda no jardim foi construída uma pirâmide de acrílico que abriga, obviamente, livros no seu interior, como num enigmático mostruário. Na entrada do Hay Castle, loja e moradia do “Rei” Booth, existe outra livraria a céu aberto, a Honesty Bookshop. Honestidade, sim, porque ali não há vendedores e o valor de cada livro deve ser depositado pelo comprador em pequenos cofres, à saída do castelo. Qualquer um pode também alugar uma estante nessa livraria, caso queira passar adiante os livros indesejados.
Qualquer amante de livros, como bem observou o autor do texto, deve se sentir como um personagem de Borges, ao percorrer ruas repletas de volumes ladeadas por prédios de três andares todos eles repletos de prateleiras e prateleiras. Com muitas coisas boas, muitas porcarias e possivelmente, “o” livro.

5 comentários até agora ↓
1 Silvio // 8 10 2008 às 8:04
Incrível, Alessandro.
Acho até impossível alguém não ler com toda essa oferta…
2 JLM // 10 10 2008 às 14:45
O Dr. Plausível (o amigo do Jefferson, hehe) disse que apesar de andar muito entre as estantes, sejam as ao ar livre, em sótãos e porões, ou em outros lugares inusitados, só trouxe 8 livros de lá.
Vai ver, Hay-On-Way deve ser o paraíso (ou céu, ou inferno) dos livros… ruins.
1 abraço.
3 Alessandro Martins // 11 10 2008 às 18:36
JLM,
deve ser o pesadelo de qualquer escritor encontrar seu livro numa daquelas prateleiras… !
4 Mi Müller // 14 10 2008 às 0:24
Báh Alessandro tri legal que tu descobristes tudo isso sobre a foto, quando vi no Flickr nunca imaginei que fosse isso… bacana mesmo!!
estrelinhas coloridas pra ti…
5 Alessandro Martins // 14 10 2008 às 10:46
Mi, como eu disse o mérito foi do leitor que me informou… beijos do Ale.
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