Tenho participado do Blog Lista - uma lista de debates para editores de blog - e, em menos de uma semana, tem se mostrado uma experiência bastante rica.
Diversas questões ali levantadas têm me levado a descobrir o que é realmente inquietante para editores e, indiretamente, relevante para os leitores.
Numa das discussões a Jacqueline Lafloufa, do blog Pensamenteando, perguntou aos outros participantes o que eles faziam para buscar uma melhor expressão escrita.
Essa linha do debate, rapidamente, levou a outra questão importante. Os erros de português entre os editores de blog. Expus minha opinião como segue abaixo:

photo credit: foundphotoslj
Sou a favor do “seja bem compreendido, tentando não ser bizarro”.
Não se pode desmoralizar um bom texto apenas por um ou outro erro de vírgula, conjugação ou ortografia.
Fico mais irritado com alguém dizendo que não aceita um bem argumentado texto porque o sujeito escreveu “exceção” errado do que pelo próprio erro.
No entanto, para erros ortográficos e afins, cada um tem o seu limite. Isso é individual. De minha parte, tento conviver com o erro. A vida tem mais erros que acertos em geral. E, ainda assim, as coisas parecem funcionar. Não dá para ser muito controlador.
Como editores de blog, o nosso processo de publicação - para bem ou para mal - nos faz conviver com o erro.
A língua é mutável e o modo como ela muda também. Provavelmente estamos entrando em um novo processo. Cada um vai arranjar um modo de conviver com ele - de aceitá-lo ou enfrentá-lo -, mas no fim de décadas ele terá acontecido independentemente do que cada um fez. Não dá para ser muito controlador também quando se trata de idioma. Afinal, a questão do idioma é grande, mas ainda assim é menor que a questão da vida. Por trás dos blogs há pessoas falíveis.
Porém se encontram erros em meus textos - tenho certeza de que não são poucos -, sempre fico grato quando os apontam. Nos jornais e livros - onde a impressão era definitiva -, a figura do revisor era obrigatória, pois a impressão era permanente, com pretensões à eterna.
Hoje, os textos são sempre editáveis: o leitor acaba assumindo a funções que vão de revisor a crítico.
Por isso digo: o importante é transmitir a mensagem da melhor forma possível. Clareza sempre. Clareza como meta.
Ainda assim, aprimore-se em gramática e ortografia. Vai ajudar a ser claro.
A discussão bifurcou-se ainda para se ler é importante para se escrever bem. Acredito que ler sem dúvida é importante para escrever bem, mas não essencial. O essencial para escrever bem é escrever. Escrever sempre. Todo dia.
Ler muito abre o leque de ferramentas de quem quer escrever bem. Mas abrir o leque não quer dizer que o sujeito sabe se abanar. Para isso, ele precisará… se abanar de fato.
Ler muito fará você, no máximo, um bom leitor. O que não é ambição pouca segundo Jorge Luis Borges. Talvez você se torne um leitor tão bom que sua capacidade crítica o impeça de escrever.

8 comentários até agora ↓
1 Silvio // 24 9 2008 às 16:20
Acredito que o problema mais grave com erros de português e falta de clareza é quando a estrutura é confusa ao levantar vários pontos ao mesmo tempo e as idéias ficam suspensas sem chegar a lugar nenhum.
Perto disso, vírgula perdida é bobagem.
Abraços!
2 Alessandro Martins // 25 9 2008 às 8:31
Silvio,
entendo o que quer dizer. Textos sem pé nem cabeça, dificuldade de encadeamento de idéias… é aquela coisa: se você não sabe pensar, não sabe escrever…
Abraços do Ale.
3 Hirota // 25 9 2008 às 13:48
Fala Martins,
Concordo com a sua opinião. Ser compreendido ao máximo com o mínimo de erros possíveis.
Abs!
4 Suzana // 25 9 2008 às 15:06
Oi, Alesandro;
“Acredito que ler sem dúvida é importante para escrever bem, mas não essencial. O essencial para escrever bem é escrever. Escrever sempre. Todo dia.”
Acredito que ler é sim, essencial para escrever bem. E ler todo dia. E digo o porquê:
Há dias entrei num debate sobre tradução na ficção. E uma das coisas que mais tem me chamado a atenção é a pobreza do vocabulário de quem traduz (ou seja, escreve). Concatenar as idéias o autor já o fez. Mas na hora de traduzir o sentimento, a intenção do autor ao juntar palavras em inglês, ídiche ou grego, o tradutor acaba escolhendo a forma mais pobre - ou seja, quase que traduz ao pé da letra. Um exemplo: todo mundo “balança a cabeça afirmativamente”. Ninguém assente. Os personagens, ao falar, “pausam”; onde foi parar o verbo “hesitar”?
Sim, ler é essencial. Você aumenta o seu vocabulário, aprendendo que, muitas vezes, uma idéia descrita em meia dúzia de palavras pode ser resumida numa só. Você deixará de “caminhar para a frente” e passará a “avançar” (outra idéia infeliz entre os tradutores).
Bjs
5 Pri // 26 9 2008 às 19:13
Bom saber que, quem sabe um dia, poderei me tornar uma boa leitora.
Beijos
6 Alessandro Martins // 28 9 2008 às 17:51
Pri,
eu também.
Abraços
7 Alessandro Martins // 28 9 2008 às 17:55
Suzana, concordo com tudo o que você disse. Mas não importa o quanto você leia, se você não escrever, não escreverá bem nunca. Abraços.
8 Alessandro Martins // 28 9 2008 às 17:55
Valeu, Hirota!
Você é convidado meu, caso queira, a escrever no eupraticoyoga.com… se quiser, faço um usuário pra você… abraços!
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