Agente especial do FBI Dale Cooper: sobre as religiões

5 9 2008 por Alessandro Martins · 5 comentários

No artigo anterior apresentei você ao livro Dale Cooper: Minha Vida, Minhas Gravações.

Ele é um personagem que consegue unir o simples ao complexo, como se a reta não fosse necessariamente o caminho mais curto entre dois pontos e existisse um outro - mais óbvio - que ninguém vê, só ele.

Adepto de técnicas de meditação, assim como David Linch, Dale Cooper tem uma relação interessante com as religiões em geral. Beiraria a Woody Allen se não fosse tão concentrado e determinado em suas buscas.

Transcrevo um trecho do livro, trecho meio longo - admito -, que pareceu-me um tanto engraçado e do qual acho que você vai gostar. Acho importante lembrar que o livro são as transcrições de suas gravações:

15 de setembro, 3 horas da manhã

Cheguei à conclusão de que sou vítima de um tipo de maldição que lembro ter visto em certos indivíduos infelizes, nas viagens que fiz antes da faculdade. Tenho plena consciência de que a mente ocidental não se permite acreditar em nada além do mundo real. Mas agora estou convencido de que muitos dos desastrosos relacionamentos que tive não foram obras do acaso. Preciso encontrar alguém que possa me curar.

Primeiro de outubro, 8 horas da noite

Não acho que os católicos tenham a solução para o que possa ser o meu problema. Passei várias horas com um padre, que sugeriu que talvez eu sentisse uma profunda culpa provocada por pensamentos impuros. Propôs que eu me convertesse ao catolicismo e assinasse o novo jornal da paróquia por 16,50 dólares ao mês. Perguntei se não haveria uma solução mais barata, e ele disse que a salvação era muito parecida com um negócio imobiliário e que, se eu quisesse uma propriedade barata que não valorizasse ao longo do tempo, então poderia falar com os protestantes.

9 de outubro, 7 horas da noite

Fui procurar os protestantes. O jornal deles custava 17 dólares ao mês, e acusaram os católicos de usarem papel mais vagabundo. Não encontro respostas.

15 de outubro, 1 hora da manhã

Encontrei um santo muçulmano que disse que devia ter ido procurá-lo antes, porque agora que eu já tinha me exposto aos católicos e protestantes não havia nada que pudesse ser feito.

30 de outubro, 4 horas da tarde

Passei grande parte da noite com um santo Sioux. Quando contei o problema, ele começou a rir. Disse que era a melhor piada que ouvira nas últimas semanas e que eu lembrava um cavalo que o irmão dele tivera na infância que tinha tanto medo de quebrar a perna dentro de um buraco de esquilo que só andava em estradas e acabou atropelado por um caminhão. Acredito ter me sentido muito melhor, mesmo sem saber muito bem por quê.

Não sei pra você, mas para mim acho que isso diz muito sobre relacionamentos e religiões.

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    Tags: Trechos de livros comentados

    5 comentários até agora ↓

    • 1 Silvio // 5 9 2008 às 10:33

      Haha… excelente!

    • 2 Alessandro Martins // 6 9 2008 às 11:35

      Silvio,

      ainda colocarei mais tiradas do agente por aqui…

      Ele é ótemo.

      Abraços.

    • 3 _Maga // 7 9 2008 às 23:32

      ADOREI! Adorei, Alessandro!

      obrigada por resgatar essa perola para nós!

    • 4 Flávio PleX // 29 11 2008 às 11:45

      Fantástico !!
      Excelentes postagens sobre o livro.

      Tenho 2 dúvidas…

      - quem escreveu tal livro ?
      - onde encontro pra comprar ?

      Obrigado, forte abraço !

    • 5 Alessandro Martins // 2 12 2008 às 8:53

      Flávio,

      o autor é Scott Frost e acho que, para achar, só em sebo.

      Sugiro o http://www.estantevirtual.com.br

      Abraços do Alessandro.

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