Uma das passagens mais legais de Moby Dick, de Herman Melville - até o momento pois não o li de todo -, é o momento em que o Padre Mapple sobe até o púlpito.
Toda a igreja tem referências às coisas do mar e dos navios. E o próprio púlpito lembra uma gávea. Após subir, o padre puxa a escada de corda pela qual chegou ali, isolando-se das coisas terrenas.
Então, ele começa a falar de uma parte da Bíblia. Adivinhe? Adivinhe? Sim, do livro de Jonas. O cara que foi engolido pela baleia ou algo do gênero. Algo grande. Essas sacanagenzinhas que o deus do Velho Testamento preparava para seus fiéis e seus infiéis.
Enfim. Achei coincidência, pois ontem assisti novamente a Mestre dos Mares e há uma referência importantíssima a esse livro bíblico também.
Coisa de marujos, você sabe.
Pois bem. Então, Jonas estaria fugindo de Deus e estava decidido a pagar qualquer preço por essa fuga. Eis a passagem do sermão de que falo:
Ora, o capitão de Jonas, companheiro, era alguém cujo discernimento descobre o crime em qualquer um, mas cuja cupidez só revela o dos desendinheirados. Neste mundo, companheiro, o pecado que paga seu percurso pode viajar livremente, mesmo sem passaporte; enquanto a virtude, como uma pobre é detida em todas as fronteiras.
Bela frase.

2 comentários até agora ↓
1 Evandro Cesar // 5 8 2008 às 10:36
Ótimo frase! Essa vai pra galeria: Frases que eu queria ter escrito :)
2 Alessandro Martins // 9 8 2008 às 13:45
O capítulo inteiro é fabuloso, Evandro.
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