Quando o tipógrafo faz cegada

2 7 2008 por Alessandro Martins
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No tempo em que a impressão de um livro era mais artesanal a edição corria certos riscos que hoje não corre, muito embora hoje também haja riscos que antes não havia.

Certa vez, Machado de Assis reuniu suas poesias completas em um livro e pediu para que um amigo escrevesse o prefácio:

O amigo rasgou mais seda na introdução produzida do que Machado gostaria, e de pronto ele resolveu deixar as palavras do confrade de lado e ele próprio fazer o texto. Pois aí a coisa ficou feia. Machado escreveu no final dele: “Não deixo esse prefácio, porque a afeição do meu defunto amigo a tal extremo lhe cegara o juízo que não viria a ponto reproduzir aqui aquela saudação inicial.” Imagine a cara do escritor quando pegou o seu exemplar impresso e viu que na palavra “cegara” a letra “e” foi trocada pela letra “a” na tipografia, para decepção e transtorno do Bruxo do Cosme Velho. Rapidamente foi recolhida a edição e tratou-se de sanar o problema, que ficaria famoso no meio bibliográfico brasileiro.

Dica do Felipe Arruda.

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