A regra geral e efetiva para o empréstimo de livros

27 5 2008 por Alessandro Martins · 18 comentários

O empréstimo de livros é um tema polêmico.

Há aquele que prefere nem tocar no assunto.

Há aquele que empresta e sofre, depois de anos sem ver seu livro de volta à prateleira.

Há aquele que empresta e não está nem aí.

Porém, existe uma regra que funciona para todos os casos, antes de efetivamente se emprestar um livro.

Na verdade, funciona com livros, discos, dinheiro, mangueiras, escadas e tudo o mais.

No momento de oferecê-lo deve-se fazer a pergunta: eu poderia presentear essa pessoa com isto?

Veja: ainda que você esteja emprestando o livro, com a perspectiva de que a posse vai voltar, você deve admitir a séria possibilidade de que isso não aconteça.

Se o fato de isso não acontecer puder trazer sofrimento a você, esqueça. Você não deve emprestar o livro, de jeito nenhum. Sobretudo se o empréstimo for a um amigo, pois a partir daí você poderá ligar o seu amigo a uma sensação de sofrimento, por menor que seja.

Então a regra é:

  • Só empreste aquilo que puder presentear.

De fato, eu deixei de emprestar livros há muito tempo. Eu os dou e pronto.

No caso de livros é fácil: se for aquela sua obra preferida e que pode ser reencontrada em qualquer livraria ou qualquer sebo e que você gostaria que todos os seus amigos lessem, empreste à vontade. A primeira edição de Dom Casmurro, que você ganhou de seu avô? Nem pensar. Aquele livro que você encheu de anotações e que está repleto de referências de estudo suas? Também não.

Note que o reverso também vale nessa regra: quando você oferece o empréstimo sem que o outro peça, pense se a pessoa realmente receberia aquele objeto como presente e o quanto ela o valorizaria.

E se o livro emprestado voltar?

Ora.

Tanto melhor.

Você vai gostar...

  • Só empresto o que puder presentear
  • Já havia escrito aqui sobre a regra de ouro dos empréstimos - que pode ser aplicada a livros e a qualquer objeto - à qual cheguei um tanto intuitivamente e
  • Empréstimo de livro: não lembra pra quem? Emprestei.com lembra pra você
  • Nada que um simples caderno de anotações não pudesse resolver, mas o Bighi, do Tomate Cru, lançou o site Emprestei! em que você pode registrar todos os seus empréstimos. Inclua aí

    Tags: Educação

    18 comentários até agora ↓

    • 1 ana lucia // 27 5 2008 às 22:57

      Emprestei um livro para um amigo, que emprestou para uma amiga dele. Voltou todo rabiscado de caneta, com as anotações da tal amiga, fiquei muito p…e ele ainda achou que eu estava exagerando. Depois tive motivos para considerar que aquela amizade não valia a pena. Abraço.

    • 2 Alessandro Martins // 28 5 2008 às 6:04

      @ana lucia: Era o caso em que você não deveria ter emprestado. Era um livro tão precioso que provocou a perda de uma amizade. Se não tivesse emprestado poderiam ser amigos até hoje. Abraços do Ale!

    • 3 Midlej // 28 5 2008 às 7:27

      Se suspeitar que a pessoa pode não devolver basta quando for emprestar é só pedir um emprestado tb… se a pessoa não devolver vc continua o livro dela! ;)

    • 4 marina garcia // 28 5 2008 às 7:53

      AH! Só de pensar quantos livros perdi emprestando… chega me dá uma dor no peito! ainda não cheguei a perder amigos com isso, mas hoje só empresto quando eu posso eu mesma ir buscar meu livro de volta, e ainda monitorando o tmepo que vai ficar com a pessoa. Sabe aquela ligação: “Poxa, minha tia me pediu emprestado ele tb, vc já terminou de ler?” ?
      Ela tem funcionado para mim!

    • 5 Lady Cronopio // 28 5 2008 às 9:06

      Morro de ciúmes dos meus livros.
      Não empresto. Não dou (prefiro comprar um igual e presentear se for o caso).
      Adorei este post. Dá vontade de encaminhar o link a todos os filisteus que “esqueceram” de devolver meus livros antes que eu decidisse ser a chata de biblioteca (parodiando “o rato”).
      Beijos

    • 6 Alessandro Martins // 28 5 2008 às 10:47

      @Midlej: se você suspeita de que o livro não será devolvido - e sofre com essa possibilidade - não é mais educado, sincero e inteligente simplesmente dizer não?

      Abraços fortes do Alessandro!

    • 7 Alessandro Martins // 28 5 2008 às 10:47

      @marina garcia: bastava pedir de volta então, Marina… :-)

    • 8 Alessandro Martins // 28 5 2008 às 10:48

      @Lady Cronopio: esse post não é para quem pega emprestado… é para quem empresta… hehehe. Para parar de sofrer mesmo… rs. Abraços do Ale.

    • 9 Carlos Romero // 28 5 2008 às 11:12

      Emprestar livro realmente é um dilema. É preciso fazer um exercício mental de desapego.
      Na verdade, não tenho muito problema com o tema, desde que assumi, há algum tempo, a seguinte filosofia: LIVRO É PRA CIRCULAR, e não pra ficar parado, esquecido, na prateleira.

    • 10 Alessandro Martins // 28 5 2008 às 11:28

      @Carlos Romero: Sou partidário de sua filosofia, Carlos. Livro parado é livro morto. A não ser que seja livro de consulta ou difícil de encontrar ou que tenha algum valor sentimental, não deve ficar fechado. Abraços!

    • 11 Felipe // 28 5 2008 às 16:54

      A partir de hoje, sou seguidor deste conselho: só emprestarei os livros que eu posso viver sem.

      A ausência de alguns volumes na minha estante ainda me dói. :-)

    • 12 Thássius V' // 28 5 2008 às 22:51

      Eu sou muito possessivo (ciumento?) com meus livros. Por isso, só empresto quando acho que não poderia usá-lo nunca mais para nada.

      Como no caso de certas publicações que hoje em dia já não me agradam tanto, mas na época em que comprei gostava. Acabo emprestando sem problemas.

    • 13 Alessandro Martins // 1 6 2008 às 14:44

      @Thássius V’: De certa forma vc segue essas regras, Thássius… abraços!

    • 14 Alessandro Martins // 1 6 2008 às 14:46

      @Felipe: … siga o conselho e serás feliz, gafanhoto. Rs… boa sorte, meu caro! Espero que os livros que lhe fazem falta reapareçam de um jeito ou de outro.

    • 15 Dauro Veras // 6 6 2008 às 0:52

      Belo texto, Alessandro! Reproduzi a frase-chave e linkei pra cá no meu blog. Você trata, aqui, de temas preciosos: o desapego, a impermanência, a (in)capacidade de doar. Em suma, de alguns dos principais ingredientes na difícil jornada em busca da felicidade. Abraço!

    • 16 Alessandro Martins // 7 6 2008 às 13:13

      @Dauro Veras: obrigado por ter notado o ponto exato em que eu quis tocar, Dauro. Abraços fortes a você!

    • 17 Os cinco livros que mais gostei de ler (e que faço questão de nunca emprestar para ninguém =D) | Gerador de Improbabilidade Infinita // 3 7 2008 às 2:48

      [...] que isso sirva de lição a vocês, de que emprestar livros sem seguir a regra de ouro é sofrimento na [...]

    • 18 Só empresto o que puder presentear | Livros e afins // 24 8 2008 às 6:41

      [...] comentários Veja a lista atualizada de livros mais vendidos Já havia escrito aqui sobre a regra de ouro dos empréstimos - que pode ser aplicada a livros e a qualquer objeto - à qual cheguei um tanto intuitivamente e um [...]

    Deixe um comentário