Bahamut, o peixe

9 5 2008 por Alessandro Martins · 5 comentários

A imagem do planeta suportado por um ser descomunal que, por sua vez, é suportado por outro ser descomunal e daí por diante é recorrente. Todo mundo já ouviu falar de algo assim e todas as culturas têm algo do gênero.

Um dos mitos que responde a essa alegoria das causas e e dos efeitos e alude a uma causa primeira é Bahamut.

Lemos em O Livro dos Seres Imaginários, de Jorge Luis Borges:

Deus criou a Terra, mas a Terra não tinha sustentáculo e assim por baixo da Terra criou um anjo. Mas o anjo não tinha sustentáculo e assim por baixo dos pés do anjo criou um penhasco de rubi. Mas o penhasco não tinha sustentáculo e assim por baixo do penhasco criou um touro com quatro mil olhos, orelhas, ventas, bocas, línguas e pés. Mas o touro não tinha sustentáculo e assim por baixo dos pés do touro criou um peixe chamado Bahamut, e por baixo do peixe pôs a água, e por baixo da água pôs escuridão, e a ciência humana não vê além desse ponto.

O touro anterior ao peixe chama-se Kujata, ao qual Borges dedica um capítulo:

De acordo com um mito islâmico, Kujata é um grande touro dotado de quatro mil olhos, quatro mil orelhas, quatro mil narizes, quatro mil bocas, quatro mil línguas e quatro mil pés. Para locomover-se de um olho a outro ou de uma orelha a outra, bastam quinhentos anos.

O incomensurável e o imponderável sempre fascinaram Borges e a humanidade em geral.

E vocês ainda não viram o tamanho do anzol.

Você vai gostar...

  • Conheça pessoas que gostam de livros no Fórum Sobre Livros
  • Animação de O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, por Aleksandr Petrov
  • Algumas táticas para escrever e ler jornais
  • 53 coisas que você encontra em Hamlet
  • Dance Boy e sua tática exótica para conquistar as mulheres
  • História da Literatura Erótica Urupês Quase Memória

    Clique nos livros para comprar. Quero ver mais indicações.

    Tags: O prazer de ler

    5 comentários até agora ↓

    • 1 Evandro Cesar // 9 5 2008 às 12:58

      Puxa é ótimo ler esses textos novamente, outro dia reuni meus livros do Borges para reler, ainda não comecei… Então você fala de Bahamut e eu descobri (só agora!) porque me interessei tanto por mitologia, foi culpa do danado do Borges :)

    • 2 Matias // 9 5 2008 às 18:25

      Que livro ótimo. Preciso roubar um.

    • 3 Vica // 9 5 2008 às 22:23

      Borges, sempre maravilhoso. Eu adoro lendas e mitologia.

    • 4 Anny // 10 5 2008 às 9:06

      Então começo o dia comentando no seu blog. Um começo muito bom. Texto sobre Borges que ainda não li. E que você termina com: ” E vocês ainda não viram o tamanho do anzol.”
      Muito boa suas colocações.
      Bjos

    • 5 _Maga // 11 5 2008 às 20:54

      Adoro Borges e esse seu jeito de falar o imponderável, absurdo, com a placidez dos sábios.

      (e já que minha cidade está na moda) acho é de Pato Branco que vem esse meu amor pelo absurdo… rs

      beijos

      ps.: na verdade vem da literatura, mas isso é sério demais para ser falado. ;)

    Deixe um comentário