Sofríveis adaptações de livros para o cinema

2 5 2008 por Alessandro Martins · 14 comentários

Sou em geral condescendente com adaptações de livros para o cinema.

Não espero ver cada uma das passagens transpostas para a tela com precisão.

Isso é coisa para pottermaníacos.

Por exemplo, uma das adaptações para cinema mais geniais: O Iluminado, de Kubrick, pouco tem a ver com o livro O Iluminado, de Stephen King.

Ou Apocalypse Now, de Copolla, que saiu de O Coração das Trevas, de Conrad.

Empolgado com a leitura de Os Três Mosqueteiros, resolvi pegar na locadora a versão cinematográfica do livro de Alexandre Dumas.

Não havendo a versão que assisti na infância, de 1973, tive que me contentar com a de 1993, com Chris O’Donnel no papel de d’Artagnan.

Bem… O’Donnel - do elenco de Risco Vertical e de Batman e Robin - não é conhecido por estar em obras-primas da sétima arte. E a versão de Os Três Mosqueteiros de que participa é mais parecida com A Noviça Rebelde do que com o famoso romance de capa e espada. Digamos que a história sofreu adaptações, mas essas não representaram um ganho na transposicão do enredo para a tela.

Sugiro que, se tiverem a oportunidade, assistam à versão de 1973 que, se não me falha a memória, além de ser mais fiel a Dumas, tem adaptações que trouxeram ganhos à história. Curiosamente, o cartaz do filme traz a mesma ilustração da capa da edição que ora leio.

Para terem uma idéia da diferença entre as duas obras, basta dar uma olhada nas sinopses e no elenco.

Eis o de 1973:

Após ser treinado pelo pai, o jovem D’Artagnan (Michael York) ruma para Paris sonhando se tornar um mosqueteiro do rei. Já no caminho é ridicularizado, devido à sua inexperiência, por Rochefort (Christopher Lee), o braço direito do cardeal Richelieu (Charlton Heston), que usa sua enorme influência para governar a França indiretamente através do rei. D’Artagnan nada sabe sobre isto e quer apenas demonstrar seu valor. Ele fica tão ansioso que acaba se desentendendo com três espadachins, Athos (Oliver Reed), Porthos (Frank Finlay) e Aramis (Richard Chamberlain), sem imaginar que eles são os mosqueteiros do rei. D’Artagnan marca três duelos com eles, mas antes que os confrontos aconteçam os quatro enfrentam membros da guarda do cardeal e, assim, ficam amigos. Em razão da rainha estar muito apaixonada pelo Duque de Buckingham (Simon Ward), um nobre inglês, ela fica numa situação muito delicada e Richelieu quer usar isto para aumentar seu poder. Assim D’Artagnan terá a chance de impedir as maquinações do cardeal e mostrar seu valor.

E o de 1993:

Ignorando que os Mosqueteiros do Rei, em virtude de uma manobra política que visa obter o trono da França, não mais existem, o jovem D’Artagnan (Chris O’Donnell) planeja tornar-se um mosqueteiro. Em sua aventura conhece mosqueteiros leais ao rei, que acabam descobrindo o plano do cardeal Richelieu (Tim Curry) de matar o rei da França.

Quem conhece um pouco do livro, sabe que ele não é exatamente uma luta do bem contra o mal e os mosqueteiros estão mais para um bando de folgados brigões do que para cavaleiros jedi servidores da força.

Considero que respeitar o enredo é menos importante que preservar as idéias presentes em um livro. Mas o filme de 1993 não faz nenhuma das duas coisas.

Aproveitando o assunto, você pode ver uma lista de 23 filmes que, segundo o site EW, decepcionaram em relação aos livros que os originaram.

E, se você gosta mesmo do tema, uma boa idéia é assistir ao excelente filme Adaptação, de Spike Jonze. Afinal, como adaptar um livro de botânica - sobre flores, mas especificamente -, para o cinema?

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    Tags: Cinema · O prazer de ler · O prazer de ver

    14 comentários até agora ↓

    • 1 Indicação da Vez // 2 5 2008 às 16:15

      Quase sempre é assim, o que já foi sucesso em livro geralmente não repete o mesmo sucesso no cinema… O que já foi sucesso no teatro, geralmente não repete o mesmo sucesso na TV… O que já foi sucesso na TV em uma emissora não repete a mesma performance em outra…

    • 2 Indicação da Vez // 2 5 2008 às 16:20

      Por falar em adaptações, você já viu o filme de O Caçador de Pipas? Postou algo sobre o filme?

    • 3 Alessandro Martins // 2 5 2008 às 17:26

      Não, meu caro Indicações. Não escrevi sobre esse livro nem vi o filme. Abraços!

    • 4 Anny // 2 5 2008 às 17:56

      Oi Alessandro:
      Vi o filme Os três Mosqueteiros com na TV um dia desses. Nem vi todo. Pois é, nem sempre o filme acrescenta alguma coisa ao livro. Só vi uma vez isto acontecer com um livro chamado 24 horas. O filme foi muito melhor do que o livro.
      Com o grande ator Anthony Queen. E depois nunca mais…
      Ah, adoro esta palavra condescendente. Se voce for conescendente consigo mesmo é com tudo que o cerca. Isto é ótimo porque não ficamos paranóicos com os erros alheios e nem exigimos perfeição de ninguém.
      Beijos

    • 5 regina // 3 5 2008 às 16:36

      ótimo tudo o que leio aqui. essa coisa de filme que vira livro … ooooooops!!! …. livro que vira filme é um pequena pedra no meu calcanhar. vou atrás deles e nem sempre saio satisfeita. no entanto, já consegui alcançar a felicidade algumas vezes. o nome da rosa, por exemplo, não é fiel quanto à longevidade da história escrita mas tornou o livro bem mais claro, principalmente, no que se refere à planta do mosteiro. por outro lado, perto da fidelidade estão as personagens. fico muito satisfeita com o que vi, toda vez que penso no que li.
      com o cortiço, 1977, do livro de aluisio de azevedo, tb fiquei satisfeita.
      ótimos e bem fiéis são pantaleão e as visitadoras e ninguém escreve ao coronel, filmes baseados em livros de vargas llosa … nossa se me deixar eu não paro mais … beijo.

    • 6 regina // 3 5 2008 às 16:39

      a palavra correta é longitude, tamanho, não longevidade, idade. desculpe. me confundi.

    • 7 Anny // 3 5 2008 às 16:46

      Alessandro:
      Como gostei, mais precisamente amei esta palavra com a qual você iniciou o seu texto, fiz um post escrevendo sobre ela : condescendente que inclusive, escrevi errado e peço desculpas.
      Ah, coloquei o link como se este texto estivesse no Cracatoa. Para não ficar editando, resolvi colocar o Alessandro Martins que está no final do texto.
      Beijos

    • 8 daisy // 4 5 2008 às 9:14

      Há bons exemplos de adaptação literária para o cinema.
      Recentemente fiz uma crítica de adaptação do livro The last temptation of Christ, de Nikos Kazatzakis (1960) que juntamente com o guião Paul Schrader escreveu também o maravilhoso roteiro homônimo A última tentação de Cristo. Considero este um bom exemplo. Se quiserem dar uma conferida…

      http://escombrosdovacuo.blogspot.com/2008/04/last-temptation-of-christ-porque-o.html

    • 9 daisy // 4 5 2008 às 9:16

      … na verdade não é crítica, mas uma humilde análise. :P
      beijo Ale lindo! :)
      ah! já achei meus textos =]

    • 10 daisy // 4 5 2008 às 9:20

      ah, vou abusar, divulgando aqui o novo endereço do Blog da Dai :)

      http://carva1.wordpress.com/

    • 11 Alexandre Kovacs // 4 5 2008 às 14:33

      Como ficará a versão de “Blindness - Ensaio sobre a Cegueira” de Saramago dirigido por Fernando Meirelles? Estamos todos curiosos…

    • 12 Alessandro Martins // 5 5 2008 às 8:26

      Eu tenho quase que certeza de que será diferente do livro, Alexandre. Em primeiro lugar porque no livro nós também somos cegos. De qualquer forma, aposto que ficará bom.

    • 13 Tina Lopes // 5 5 2008 às 14:12

      Que tal um post sobre as boas adaptações?

    • 14 André // 5 5 2008 às 18:25

      Legal. Eu estou aprontando duas listas bem grandinhas sobre adaptações de livros para o cinema.

      Agora já tenho mais alguns pra ela :)

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