Continuo a ler Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas. Você deve ter notado que tenho comentado pouco dele por aqui.
Não que seja ruim. Ao contrário.
Acontece que ele é desses livros em que você fica tão entretido com a narrativa, que flui como um rio, que separar uma parte dela seria como fatiar a água corrente.
Você pode colocá-la em um copo, mas já não é mais água corrente e sim represada.
No entanto, eis um trecho bastante interessante, quando os quatro heróis estão em viagem, levando uma mensagem secreta da rainha da França a um nobre inglês, seu amante. Nessa passagem, Porthos teve de ser deixado para trás duelando. Eis o que aconteceu:
… no momento em que Mousqueton veio anunciar que os cavalos estavam prontos e em que todos já se levantavam da mesa, o desconhecido propôs a Porthos beber à saúde do Cardeal. Porthos respondeu que não teria dúvidas em fazê-lo, se o desconhcido, por sua vez, bebesse à saúde do rei. O desconhecido gritou que não conhecia outro rei que não fosse Sua Eminência. Porthos chamou-lhe bêbedo; o homem desembainhou sua espada.
- Fizeste uma estupidez, - disse-lhe Athos. - Não faz mal, já não podes recuar, agora. Mata esse homem e vem juntar-te a nós o mais rapidamente possível.
E os três amigos voltaram a montar e partiram a galope, enquanto Porthos prometia a seu adversário furá-lo com todas as estocadas conhecidas na esgrima.
- E menos um! - exclamou Athos, depois de percorrerem quinhentos passos.
- Mas por que razão esse homem provocou Porthos e não outro de nós? - perguntou Aramis.
- Pelo fato de Porthos falar mais alto do que nós e ele o ter tomado por nosso chefe - respondeu d’Artagnan.
Isso faz lembrar aquela história de que, em campo de batalha, os soldados não batem continência a seus superiores a fim de que eles não se tornem alvos mais visados ao inimigo próximo.



4 comentários até agora ↓
1 Beth Siqueira // 15 4 2008 às 15:40
Como diz Josh Menen, “se impulso fosse garantia de sucesso, o mundo seria dos cangurus”. E Porthos falou mais alto tornando-se assim refém de sua impulsividade, ou seja, agiu antes mesmo de avaliar a situação - como tão bem fizeram seus 3 amigos.
2 Anny // 15 4 2008 às 16:34
Alexandre, interessante perceber que ao começar comentar o livro dos Os Três Mosqueteiros, fiquei intrigada se eram quatro ou três. Ó dúvida cruel. A Globo resolveu então passar o filme e pensei “leram meus pensamentos”. Qual nada, leram seu blog. Rs!
E a história não termina aí. Conclusão: não pude revever o filme e continuei sem saber o número exato dos mosqueteiros, o que me preocupa muito. Como vou recontar esta história ? Contando com sua ajuda espero ainda saber mais a espeito desse mistério.
Agora neste texto o assunto é outro. Está demonstrando que a impulsividade de Porthos deixou-o em maus lençóis. Assim chego à conclusão que quem conta um conto aumenta um ponto… e que qem fala demais dá bom dia cavalo. O que você acha?
3 Alessandro Martins // 17 4 2008 às 9:30
Beth,
a sabedoria popular bem diz: em boca fechada não entra mosquito, nem a ponta de uma espada.
Anny,
Os mosqueteiros são três mesmo… só no final o d’Artagnan se torna mosqueteiro.
Acho que o mais engraçado dessa história é que os mosqueteiros não são conhecidos por seus mosquetes, mas por suas espadas… mas imaginou se o livro se chamasse os três espadachins?
Abraços!
4 Beth Siqueira // 17 4 2008 às 13:45
os três espadachins? seria legal….daí os 3 mosqueteiros é que seria estranho…..concorda?
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