A Editora do Bispo está permitindo download grátis de alguns de seus livros em versão PDF.
Um deles é o improvável e sarcástico Manual Para Fazer de Crianças Pobres Churrasco, de Jonathan Swift. Aquele, de As Viagens de Gulliver.
A situação é a seguinte. Não sabem o que fazer com as crianças pobres? Não têm como alimentá-las? Coma-as.
Eis um trecho:
Logo, a pergunta é: como serão criados e sustentados? Como já disse, nas atuais circunstâncias, é terminantemente impossível pelos métodos propostos até agora, pois não podemos empregá-los na indústria ou na agricultura; nem construímos casas (digo, no campo) ou cultivamos terra: eles raramente podem ganhar a vida Roubando, antes de chegar aos seis anos, a não ser que sejam muito precoces, embora, confesso, eles aprendam os fundamentos bem mais cedo. (…) Devo agora, portanto, humildemente expor meus próprios pensamentos, que espero não sejam passíveis da menor objeção. Foi-me assegurado por um americano muito entendido, amigo meu em Londres, que uma criancinha saudável bem tratada é, com um ano, um alimento delicioso e nutritivo, seja cozida, grelhada, assada ou fervida; e eu não tenho dúvidas de que serviria também em um guisado ou um ensopado. Eu, então, humildemente ofereço à apreciação do público que das cento e vinte mil crianças já calculadas, vinte mil sejam reservadas para reprodução, das quais um quarto seriam machos, mais do que admitimos para ovelhas, bovinos ou suínos. (…) Que as cem mil restantes, com a idade de um ano sejam postas à venda para pessoas de boa posição social e fortuna em todo o reino, sempre aconselhando a mãe que as deixem sugar abundantemente durante o último mês, de modo que as entreguem gordas e rechonchudas para uma boa mesa. Uma criança daria dois pratos em uma recepção para os amigos, e quando a família jantar sozinha, o quarto dianteiro ou traseiro daria um prato razoável. Temperado com um pouco de pimenta ou sal ficaria muito bom fervido no quarto dia, especialmente no inverno.
Isso para mostrar que a ignorância do que fazer com as crianças jamais foi privilégio de nosso país ou de nossa época. E que para que elas sejam consideradas animais é um pulinho.
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Fonte: O Imperativo Categórico



13 comentários até agora ↓
1 Endora // 27 3 2008 às 9:29
Acho que o mais importante é disseminar iniciativas como essa da editora do bispo que, ainda que com uma estrutura editorial com profissionais, custos e afins, democratiza colocando seus livros para download o que nos dá a certeza de que é possível SIM, ao contrário do que se prega, democratizar a literatura e permitir que algo tão importante como o livro esteja acessível a todos.
2 Lady Cronopio // 27 3 2008 às 10:54
Substitua as criancinhas por bezerros, carneiros, coelhos etc, e você verá que não parece estranho. Mas é…
Quando vou ao supermercado e passo nos balcões de carnes, fico imaginando se um ser de outro planeta chegasse aqui e visse as plaquinhas: “músculo”, “peito fatiado”, “costelas”, orelha, rabo e pé de porco”, “asinhas”, “coração”, “língua” (!)… pensaria bem antes de fazer intriga com os humanos, né?
Não que eu não aprecie uma boa picanha, mas que é uma dó, isso é… E a descrição do JS mexe mesmo com a gente.
Beijos
3 Emilio // 27 3 2008 às 12:49
Será que esse cara leu o livro? http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u386230.shtml
4 Flávia // 27 3 2008 às 13:40
Nossa se o texto “in natura” já é de mau gosto, imagina agora, no contexto do apareceimento daquela torturadora psicótica de goiânia…
eu hein?
5 Alessandro Martins // 27 3 2008 às 14:18
Lady,
também sou vegetariano.
Emilio,
se tivesse lido, teria citado a informação certamente.
Flávia,
acho que o mau gosto é intencional do autor.
6 Flávia // 27 3 2008 às 17:00
Jura, alessandro?
então talvez ele nem coma mesmo criancinhas?
esquecestes a regra 1 aquela?
kkkkk
(o cacaca aqui é pq agora eu é que estou te subestmando…)
bj, f
7 ana lucia // 28 3 2008 às 11:12
Gostaria muito de ser vegetariana mas não resisto a um churrasquinho de gato. Quanto a ter filhos sem ter como cria-los é um hábito que obedece à lei suprema “crescei e multiplicai-vos”. Obrigada pela dica, adora livros gratis, ainda vou ter uma super impressora, queria mesmo ter uma gráfica. Abraço.
8 Mario Castro // 28 3 2008 às 14:59
Logo que vi a citação fiquei revoltado. Já vi tantas soluções absurdas para a miséria e também já vi tantas soluções boas que por algum motivo foram ignoradas. Mas nunca imaginei que alguém teria a coragem de sugerir algo assim. Logo depois percebi que o autor estava sendo sarcástico. Ufa! Tenho que ler mais… ultimamente só tenho lido literatura científica. Isso deixa agente burro. kkkk.
Boa iniciativa da editora. Aos poucos elas estão mudando de estratégia.
Quando eu tiver dinheiro serei vegetariano.
Flávia, adorei o vídeo do Conan!!!
Grande abraço!
9 Alessandro Martins // 28 3 2008 às 15:55
Ana, não tenho certeza, mas acaba mais barato comprar o livro que imprimi-lo… rs.
Mário, um amigo meu diz que teoria demais sem prática intochica ;-)
Abraços!
10 Alessandro Martins // 28 3 2008 às 15:56
Ah, sim! Mário, se você olhar, sarcásticos são os anúncios na barra lateral para este post… hehehe.
11 Flávia // 28 3 2008 às 16:38
Então tá…
dizem que explicação é para porteiro, mas eu nunca concordei. para mim explicação é basicamente para quem eu gosto e para quem me importa a opinião, para quem me irrita e para quem me motiva, me instiga.
E isso aqui desde ontem combinou um pouquinho de cada um desses ingredientes. mas basicamente eu gosto deste blog.
Eu deveria ter posto aspas em mau gosto. Deveria? eu tinha um professor de português que era contra. Ele ele alertava contra o abuso das aspas, dizia que era como dizer Vejam, eu aqui estou sendo sutil, e aqui estou sendo irônico e aqui estou sendo conscientemente impreciso.
Não vou subestimar vocês dizendo que obviamente gosto e mau gosto é relativo. Agora já disse… desculpem. mas vou dizer que um texto ser obviamente sarcástico não diz nada sobre o “gosto” dele. E ele ser intencionalmente de mau gosto não o faz deixar de ser de mau gosto. Então, basicamente, um texto (obviamente) sarcástico e de mau gosto pode ser de terrível mau gosto para mim. E uma coisa é de mau gosto sempre “para alguém”, assim, entre aspas, então, quando eu digo que algo o é (de mau gosto), é redundante pôr aspas ou dizer que é “para mim”.
Comer ciancinhas no contexto de uma discussão sobre pobreza para mim “é” (uso aspas aqui como negrito) de extremo mau gosto, não acho a menor graça, nem inteligência alguma. Acho de uma obviedade até fácil, oportunista talvez. E meu “gosto’, minha sensibilidade são datados e aguçados ou abrandados pelo contexto. “Corpos” (vamos às aspas) de criancinhas me sensibilizam normalmente. Mas, quando acabei de ler uma matéria sobre uma doida que mantinha uma menina presa, torturada, tendo unhas arrancadas etc, desculpem, só pode me soar intolerável um senso de humor semelhante ao que tive a infelicidade de comentar.
Ah!: Mário, o Connan sim é engraçadíssimo! (Ah: “para mim”) De rolar de rir. Mas, ainda assim, meu filho, que vive colecionando videos do you tube, não achou graça nenhuma…
Alguém deve ter achado de terrível mau gosto, não Alessandro?
Desculpe, alessandro se estou sendo tão chata, assim, chata sem aspas.
Mas é que eu já tinha te adiantado: odeio ser subestimada. De burrinha, só eu posso me chamar!
Bjs, abraços – acreditem, carinhosos, flávia
12 Flávia // 28 3 2008 às 16:47
Ps: Mário, achei muita graça, na piada sobre grana e vegetarianismo. (mas é o meu gosto. Que aliás inclui apenas carnes brancas, que aliás, também sai mais caro) bj, f
13 Daniela // 31 3 2008 às 8:57
Bah, terei de ler este livro hein heheheh. Mas uma ótima iniciativa desse pessoal, guri.
Sumi, mas não foi para sempre!
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