Eis esta entrevista com Fernando Savater, em que ele fala que a leitura deve ser, basicamente, um hábito voltado ao prazer. Pelo menos em seu início.
“Chegamos a ter prazer com a leitura de Os Lusíadas ou de Dom Quixote, mas não no primeiro dia em que se começa a ler, nem no segundo ou no terceiro ou no quarto”, diz ele.
Então, nas escolas não se deve impor às crianças os livros de que o professor gosta ou que o programa da disciplina indica, mas simplesmente permitir aqueles que o aluno ou o filho quer ler.
Não importa quais sejam. Paciência.
Na verdade, isso continua adiante.
Só devemos dar à criança - ou seja, nós - aquilo que queremos ler. Não adianta forçar.
Acontece que, se começamos bem, aprendemos a partir daí a extrair prazer de uma variedade maior de possibilidades.
O que quero dizer é que o tema pode ser até desagradável e as conclusões dolorosas: mas a leitura desses temas não o deve ser.
Deixe que o escritor arranque seu coração com uma colher, desde que ele faça isso com arte.
Fico feliz por ter conhecido esse autor, Fernando Savater, que me foi apresentado por Júlia.
Escrevi outros artigos inspirados por seus textos, caso queira ler:
- Savater, Vermeer e o verdadeiro amor pela cidade em que se nasce
- O mundo precisa de mais escritores sem estilo
- Razões para gostar do cinema americano sem medo de ser feliz
Recomendo que você veja toda a entrevista, pois mais adiante ele fala de um outro tema interessante: a morte.
Fonte: Naturalmente, não sei…

11 comentários até agora ↓
1 Fábio // 6 2 2008 às 9:23
Bastante interessante.
Quando eu estava no colégio (acredito que foi a oitava série, em 1993), a professora de língua portuguesa nos passou um projeto interessante.
Em vez de fixar uma leitura, mandou cada um de nós levar um livro que gostávamos, e formamos uma biblioteca itinerante dentro da sala de aula.
A leitura era livre, pegávamos pra ler os livros que quiséssemos, tínhamos duas semanas pra lê-los. A única coisa obrigatória era a resenha ao final da leitura.
Como éramos todos moleques de 13 anos, lendo nossos próprios livros, boa parte das leituras foram condizentes à nossa idade. É uma idéia a ser discutida, na minha opinião.
2 Rui de Lucca // 6 2 2008 às 15:03
É assim mesmo. Livros policiais foram os primeiros que chamaram minha atenção quando criança. De séries infantis. Alguns, por causa das citações me deixavam até com vontade de descobrir quem era Racine, Shakespeare, Plauto entre outros. Vale a pena leitura envolvente e ágil.
3 Flávia // 6 2 2008 às 22:22
Alê, você sempre dando dicas interessantes… É por isso que esse blog está na bibliografia da minha monografia.
Beijos
4 Esdras // 6 2 2008 às 23:51
Até hoje sou traumatizado com coisas do tipo Iracema ou O Guarani, do meu conterrâneo José de Alencar, que li quando tinha 13 ou 14 anos por imposição do colégio.
Entendo a boa intenção da escola de me forçar a conhecer a fase indianista do autor, mas eu simplesmente os detestei. Preferi muito mais A Viuvinha, do começo da carreira também do José de Alencar, quando não tinham índios que arrancavam árvores fincadas no fundo do rio sem esforço ou que corriam 40km de chão quente por dia e tinham os pés bonitos.
Lembro de ter lido um livro do Ganymedes José chamado “Super G” quando tinha 6 ou 7 anos. Simplesmente vi uma colega do meu irmão andando com ele embaixo do braço e tive curiosidade. Foi uma experiência literária bem melhor.
5 ana lucia // 7 2 2008 às 15:42
Me chama a atenção quando ele diz que a leitura é um esforço/trabalho e a televisão o recreio. Acho que o brasileiro pensa assim… o BR não é um país de leitores, ler ainda é uma coisa estranha, associada a estudar/trabalhar, ou ainda a “tirar onda de intectual” e não a diversão. Não sei como comecei a ler. Lembro que quando era menina, costumava ler crônicas do Nelson Rodrigues que aparecerem lá em casa, não tinha ninguém para me insentivar ou censurar. Quanto a questão do envelhecimento/ morte, parece que as pessoas pensam tanto nisso que esquecem da vida. O importante para mim é ter uma mente sempre ativa. Gostei muito do vídeo, ótima dica, abraço.
6 Andre // 11 2 2008 às 20:29
Pessoal ide ver o texto sobre Bento XVI que aqui o nosso amigo joao escreveu… E as suas multiplas contradiçoes. Ele que é agnostico subscreve de Russel que o conhecimento é incerto (LOGO NO CABEÇALHO!!!!), e depois usa a ideia que ele é certo e absoluto. Que zé cabra…
7 Andre // 11 2 2008 às 20:36
Sou o mesmo do comentário anterior. Não me estou a referir a este fabuloso site http://www.alessandromartins.com, mas sim a:
http://naturalmente.wordpress.com/2008/02/11/bento-o-xvi/
Peço desde já desculpa pelo comentário anterior aos moderadores e visitantes desta página magnífica. Estava a ver duas páginas em simultâneo e escrevi erradamente neste pégina.
As minhas mais sinceras desculpas…
8 Fábio // 11 2 2008 às 23:30
Concordo com o Esdras. Percebi que os universitários que prestaram FUVEST têm uma aversão natural ao Macunaíma, de Mário de Andrade.
Por vezes, me sinto até um peixe fora dágua pois sou a única pessoa que conheço que de fato gostou do livro. Pois, o li muitos anos antes de prestar vestibular. Confesso, li como obrigatória na escola, mas como o professor era tranquilão, meio alternativo, mais interessado em despertar a literatura do que em impor uma prova sobre nós, foi uma experiência muito light.
Só posso atribuir este ódio, ao fato de ser leitura obrigatória da FUVEST. Além da obrigação de ler o livro, as infindáveis aulas e palestras “explicando” o tema do livro causam uma certa espécie aos alunos. Especialmente por, na minha opinião, interpretação de texto ser uma coisa extremamente pessoal, e o que aprendemos nos cursinhos pré-vestibulares, na verdade, é a visão do examinador a respeito do livro.
Essa imposição sobre o que devemos entender de uma leitura, é extremamente desanimadora pra um leitor em potencial.
9 Elisa Kerr // 16 4 2008 às 22:24
Olá Alessandro,
Assisti esse entrevista a pouco tempo e achei muito boa. O importante para a criança é criar o hábito de leitura, não importndo o estilo literário de sua preferencia. Depois disso feito, uma letura pode ser no máximop chata, mas não insuportável. Como acontece com grande parte de nossas crianças. Elas não suportan ler. Tenho depoimentos em meu blog de adolescente que comentam: “livros é ruim”. Não gostam de ler e não sabem escrever. O que é uma pena! A escola não tem ajudado nesse ponto, muito pelo contrário. A imposição do estilo e de títulos não colabora com acriação desse hábito, mas distância a criança, cada dia mais, da leitura.
10 Elisa Kerr // 16 4 2008 às 22:29
Olá Alessandro,
Assisti essa entrevista a pouco tempo e achei muito boa. O importante para a criança é criar o hábito de leitura, não importando o estilo literário de sua preferencia. Depois disso feito, a imposição de uma letura pode ser no máximo chata, mas não insuportável. Como acontece com grande parte de nossas crianças que não suportan ler. Tenho depoimentos em meu blog de adolescente que comentam: “livros é ruim”. Essas não gostam de ler e não sabem escrever. O que é uma pena! A escola não tem ajudado nesse ponto, muito pelo contrário. A imposição do estilo e de títulos, numa idade que ainda não adquiriu o gosto pela leitura não colabora com acriação desse hábito, mas distância ainda mais a criança dele.
11 Alessandro Martins // 17 4 2008 às 9:06
Elisa,
acho que o principal problema é tentar salvar os livros, mas não os leitores. Mas é bem isso que você disse…
abraços do Alessandro.
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