Eu já falei por aqui que uma das melhores formas de estimular a leitura de um livro é proibi-la.
Vide o que aconteceu com a biografia de Roberto Carlos. Ninguém estava interessado em saber sobre a vida dele, mas bastou que a venda fosse proibida para que o Brasil inteiro baixasse o livro pela internet.
Assim é.
Mas deixo com você as palavras de Mark Twain, no livro Tom Sawyer:
Tom filiou-se à nova Ordem dos Cadetes da Temperança, cujas insígnias vistosas o atraíam. Prometeu abster-se de fumar, de mascar fumo e de tudo o que fosse profano, enquanto fizesse parte da ordem, mas em breve descobriu que basta prometer deixar de fazer alguma coisa para que fazê-la se torne mais interessante do que nunca. Atromentava-o um forte desejo de beber e praguejar; este tornou-se tão intenso que só a esperança de poder mostrar-se com sua faixa vermelha evitou que saísse da ordem.
Estava próximo o 4 de julho, mas não queria esperar tanto; ainda não havia quarenta e oito horas que entrara para a ordem, quando pôs suas esperanças no velho Frazer, juiz de paz, que parecia estar no seu leito de morte e devia ter um grande funeral, visto ocupar um lugar tão importante. Durante três dias, Tom interessou-se muito pela saúde do juiz e mostrou-se ansioso por notícias. Por vezes, tudo parecia correr bem, tão bem que chegou a tirar da gaveta as suas insígnias para se ver ao espelho com elas, mas o juiz parecia hesitar; a certa altura disseram-no livre de perigo e, por fim, entrou em convalescença.
Tom sentia-se indignado e até, de certo modo, ofendido. Saiu logo da ordem, mas nessa noite o juiz teve uma recaída e morreu. Tom resolveu então nunca mais confiar em ninguém.
Na sua inocência e espontaneidade, Tom só faz destacar o que todos temos de mais humano.
Isso me faz lembrar também que muitos funerais são tão somente a chance de boa parte dos vivos exibirem suas virtudes.
Aquelas que só tira da gaveta em ocasiões especiais. E depois elas são guardadas novamente.
E, sim, ainda estou lendo Tom Sawyer.
Adoro meu novo ritmo de leitura.

6 comentários até agora ↓
1 Djabal // 23 1 2008 às 6:15
Por motivos alheios passou a desconfiar por motivos próprios. Mark Twain é um dos grandes, dos magníficos.
2 Sam // 23 1 2008 às 15:57
Vi no twitbin @Alessandro_M citar Tom Saywer hoje… meu filho Enzo passou o dia de ontem lendo o livro. 7 anos é idade perfeita para se encantar com ele! E como os personagens são bons para se discutir em família…
3 Anny // 23 1 2008 às 19:52
Ainda não li.
Fiquei com vontade de ler.
Bjos.
4 Ulisses Adirt // 24 1 2008 às 12:22
Tb adoro meu ritmo de leitura (já tenho alguns leitores perguntando se não vou acabar O Diário de Anne Frank)… leio vários livros ao mesmo tempo e alguns até diminuo o ritmo para durar mais (foi o caso da Insustentável leveza do ser que eu acabei faz algumas semanas).
5 Maria da Conceição S C de Almeida Krometsek // 26 1 2008 às 23:16
Tanbém estou lendo Tom Sawyer e estou adorando!!!! Fui estimulada a lê-lo depois de ler o artigo super bem humorado de Ruy Castro sobre este livro no “As obras primas que poucos leram”. Por falar em ritmo de leitura, o meu está ótimo - faz parte da minha lista Alice no país das maravilhas e O diário de Anne Frank.
6 Marcelo // 27 1 2008 às 11:41
Interessante a visão de “Tom”.
Vamos apenas abordar o personagem.
Deixou de confiar em alguém.
Podemos entender a visão de personalidade, pensador, instrutor. Qual a sabedoria do homem para fazer parte de sua excelência a plenitude de outro?
Na verdade tudo que é advertido é bom, pela condição caída do homem na sua existência. (Criação). Ninguém nasceu entendendo o que é certo e o que é errado. Alguém disciplinou uma forma de viver. Os desejos do tempo vão abrir o “leque” das oportunidades, e então a decisão do homem é dele mesmo.
Agora nem todos os caminhos são certos. Vamos ser um pouco religioso no momento.
Acredito que Deus é o caminho certo, sem nenhum ceticismo. Mas o Deus da Bíblia.
Quantas coisas para mostrar…
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