Escritores, façam um favor aos leitores: publiquem menos

21 1 2008 por Alessandro Martins
· 8 comentários

Recomendo a leitura do artigo É Preciso Ser um Gênio Literário?, no blog de Bruno Garschagen.

Se houve um tempo no qual escritores transformavam suas doenças do corpo, mentais e psíquicas em boa literatura, vemos hoje escritores adoecendo a literatura para conseguir celebração, coquetéis, viagens, resenhas nos jornais, quem sabe até uma foto na revista Caras.

Ele esqueceu de mencionar a entrevista no Jô Soares. Aliás, sempre achei o João Gordo melhor entrevistador.

Ser publicado passou a ser uma obsessão de nosso tempo.

Publicar menos seria um favor para os leitores, que correriam um risco menor de adquirir um livro de pouca ou nenhuma importância em sua vida, enganado pelas editoras, pelos suplementos literários dos jornalões e pelo autor (que engana a si mesmo).

E para o meio-ambiente - com menos dejetos poluidores lançados durante a manufatura do papel.

Ganha o próprio escritor, que passa a ser ele mesmo o primeiro filtro de seu trabalho.

Quando Ivan Lessa se propõe a ler e a publicar cada vez menos, está na hora de levar a sério essa história.

Recomendo também a leitura do livro O Cabotino, do Paulo Polzonoff. Um livro escrito para desencorajar justamente os cabotinos.

Não direi que não há lugar para livros de todos os alcances. Mas para livros de alcances diferentes, projetem-se itinerários de compatíveis distâncias.

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    Tags: Dica de site · O prazer de escrever · O prazer de ler

    8 comentários até agora ↓

    • 1 Anny // 21 1 2008 às 9:50

      Concordo com você. Publicar menos livros.
      Também gosto de mais de João Gordo entrevistando…

    • 2 Djabal // 21 1 2008 às 10:56

      Às vezes leio uma crítica gastrônomica e quando vou experimentar; fico muito decepcionado. O mesmo ocorrer com um livro, investimos horas para a leitura, e pronto: decepção.
      É tempo de se refletir e, de fato, publicar menos livros, ou de fazer resenhas mais realistas e comprometidas com o leitor.

    • 3 dagwood // 21 1 2008 às 16:15

      Não sei se o problema são livros de má qualidade sendo publicados ou escritores de má qualidade publicando. Certas vezes penso q os bons escritores desapareceram, e o q vemos é o q restou. Fora o fato de q cada vez menos pessoas procuram livros para ler (aqui excluídos os livros de “auto-ajuda” e outros didáticos, por força das escolas).

    • 4 Alexandre Kovacs // 21 1 2008 às 20:53

      Acho que esta citação resume bem o problema:

      “Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve haver certamente outra maneira de se salvar uma pessoa, senão estarei perdido.”

      Almada Negreiros (1893 - 1970) - pintor e escritor português.

    • 5 _Maga // 21 1 2008 às 21:28

      “Quain costumava argumentar que os leitores eram uma espécie já extinta. Não há europeu (suscitava) que não seja um escritor em potência ou em ato.” p. 77, Jorge Luís Borges, Ficções.

      Escritores iniciantes devem escrever muito. E expor o que escrevem. Não há outra forma de aprender a escrever. Por outro lado, eles não precisam publicar, como você defende.

      Mesmo em blogs, vemos uma corrida desesperada por textos que acabam resultando até em publicações de conversas de MSN, que, em geral, não são interessantes de forma alguma aos leitores. Lá no metamorfose pensante, optei faz tempo a publicar pouco e uma das razões é não cansar os leitores (hehehe e mesmo publicando pouco sempre trato dos mesmos temas! hahahaha).

      De resto, sugiro que os autores com muita vontade de publicar façam o teste da gaveta: deixem o texto na gaveta uns dias, e depois vejam se ele ainda é aquilo que você queria publicar.

      um abraço

    • 6 Thássius V. // 22 1 2008 às 7:44

      Essa é uma visão bastante discutível. Acredito que devamos parar com essa obsessão de ser “o” autor, mas assumirmos o papel de “um” autor. Na Era da Informação em que cada um pode publicar o que quer, é cada vez mais difícil ser um sucesso unânime (ou quase isso) como foi Machado de Assis, como é Luis Fernando Veríssimo, e como será Alessandro Martins. :P

    • 7 Alessandro Martins // 22 1 2008 às 8:10

      Pô, Thássius. Podia ter me colocado pelo menos entre os dois. Me daria mais esperança. Rs.

    • 8 Marcelo // 27 1 2008 às 11:00

      Prezado:
      Acabei de entronizar um pensador, mas outro esteve frente aos passos do doutor “Letra”; ferido pelas cacografias. Meu Oftalmologista pode ser um ótimo repelente às pragas da Literatura. Infelizmente sua escrita não passou no exame, minha visão ofendeu-se. Seu vestibular foi computadorizado, acredito.
      Deixar de escrever, bom seria um crime para a sociedade, certamente não receberia o Estadão em casa.
      Deixar de ler seria proveniente, quando as estrelas se manifestarem.
      Infelizmente!
      Vou comer uma pizza., um abraço!

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