Interessa quem paga a conta da arte?

18 1 2008 por Alessandro Martins · 4 comentários

Leio Assombro, de Chuch Palahniuk, e lá pela página 125 diz um dos personagens:

Não, nós olhamos para A Última Ceia e para a Mona Lisa - o Duque diz - sem perguntar quem pagou a conta para criar aquilo. O que interessa, diz ele, é o que o artista deixa para trás, a obra de arte, e não como ele pagava o aluguel.

Miguelângelo mendigava à igreja. Mozart recebia do arcebispo de Salzburg e de Giuseppe Bridi. Leonardo da Vinci se submetia ao papa Leão X e a Lourenço de Medici.

Se você for pensar, é quase como se eles tivessem a sua Lei de Incentivo à Cultura particular.

Mas ninguém se importa muito, hoje em dia, de onde vinha o financiamento para que esses e outros exercessem sua genialidade. Depois do teste do tempo, isso pouco interessa.

Porém, eu fiquei pensando se entre nossos queridos financiados pelas leis de mecenato há algum Davi ou algum Moisés. Uma Santa Ceia. Uma Flauta Mágica.

Não precisa ser nem uma ópera como Don Giovanni.

Só os séculos dirão se o dinheiro público foi em algum momento bem aplicado.

É impressão minha ou a frase anterior é absurda por diversas razões?

Você vai gostar...

  • O jornalismo esqueceu das pessoas
  • O jornalismo não se interessa mais por pessoas. Só por fontes ou personagens. O jornalismo não quer mais saber de histórias, mas de escândalos. Ou de reportagens sazonais como, por exemplo: o quanto as
  • Ouça as críticas! Mas não muito: uma história de Isadora Duncan
  • Quem trabalha com literatura ou qualquer outro tipo de arte convive com a crítica. Seja a que é feita por seus pares, seja a que sai nos jornais - cada

    Tags: Livros e afins

    4 comentários até agora ↓

    • 1 Léo e só // 18 1 2008 às 17:31

      olá Alessandro.

      Primeiro, post com humor e ironia de primeira. Segundo, não sei se concordo muito com o realtivismo histórico, apesar de que sem ele não haveria graça no texto…
      Terceiro, posso afirmar, que ´ se alguém quer jogar muito dinherio público fora, é so investir na “industria cultura”.
      E olha que eu vivo disso.
      abs

    • 2 Rafael // 18 1 2008 às 18:03

      As leis de incentivo me parecem existir justamente pra evitar isso. A mercê do mercado. É uma boa coisa, louvável e tal, mas pelo mesmo motivo tanta bobagem vive à custa. Algo que ninguém quer, que ninguém compra, mas que o Estado banca.

      às vezes acho que essa “prostituição” é uma condição natural do artista mesmo. Do trabalho em geral, né?

    • 3 Susana // 19 1 2008 às 14:12

      Infelizmente o mal uso do dinheiro público não se restringe aprnas a arte “em geral”. Se formos levar em conta o que é investido em bolsas de estudo e para supostas pesquisas ficaremos estarrecidos. Mas isso é um problema cultural antigo. Tão antigo que até hoje louvamos o que vem de fora e não olhamos para trabalhos sérios que não são contemplados porque não fazem parte da “panela” dos órgãos federais e estaduais. Basta ver o que é destinado para os mestrados e doutorados neste país. É como diz uma colega meu: -No Brasil, a Academia é uma piada!

    • 4 Anny // 22 1 2008 às 8:20

      Seria bom se fosse dado uma explicação para os contribuites, não é mesmo?

    Deixe um comentário