De 1 a 100 anos em 100 toques de tambor

13 1 2008 por Alessandro Martins
· 6 comentários

O curta-metragem People in Order traz 100 pessoas, de 1 a 100 anos tocando um tambor.

Uma idéia simples.

As idéias simples são em geral aquelas que causam maior impacto e interesse com um menor esforço. De fato, é fácil saber que a vida é curta. É difícil, porém, abarcar a idéia.

Hoje mesmo estava falando com Júlia sobre o fato de eu não saber se de fato a poesia concreta foi mais prejudicial que benéfica para a poesia contemporânea (dado o estado da poesia contemporânea).

E depois comecei a rir. Porque lembrei deste vídeo com a escala dos planetas e estrelas:

Diante disso, o mais alto problema literário se dilui mais humilde que o mais humilde dos grãos de areia.

O que dizer de mim, fazendo uma pergunta irrelevante sobre um movimento literário definitivamente irrelevante enquanto calço irrelevantes meias durante uma manhã de domingo?

Preciso responder isso numa escala de 0 a 100? Vale fração?

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    Tags: Crônicas e contos · Vídeo

    6 comentários até agora ↓

    • 1 _Maga // 13 1 2008 às 14:26

      Essas reflexões são legais para que a gente redimensione as nossas preocupações, responsabilidades… ensina a não levar coisas idiotas a sério.

      Mas isso não significa que a nossa vida não tenha importância. Ela é tudo que temos e somos: nós somos a nossa vida. E a vida é o que fazemos dela, ela não tem um sentido pronto. O sentido da vida pode estar em ler a maior quantidade de livros que conseguimos em um ano, pode estar nos beijos que damos ou nas lágrimas que derramamos.

      É importante fazer algo com a vida. O que cabe a cada um descobrir. Mas eu tenho um palpite: fazer o bem aos outros e a nós mesmos. Ao lugar onde moramos e as pessoas com quem compartilhamos essa vida.

      No fim tudo volta ao pó, viramos novamente moléculas prestes a virar outras coisas, outros animais, plantas, pedras, coco…

      Por isso, não interessa se a meia é irrelevante, o domingo é irrelevante e a poesia concreta é irrelevante.

      Você compartilhou o pensamento com alguém que é relevante pra ti. O resto é bobagem.

      beijos

    • 2 _Maga // 13 1 2008 às 16:40

      Alessandro, usei boa parte deste teu post e o meu comentário lá no meu blog - com os devidos creditos - , espero, sinceramente que não se importe. Qualquer coisa me avisa.

      Um abraço e bom final de domingo pra ti :)

    • 3 vinicius // 13 1 2008 às 17:39

      acordei meio assim também, talvez seja a conjuntura astral… rs ou planetária…

    • 4 Sergio Grigoletto // 13 1 2008 às 21:42

      O movimento pode ser irrelevante, mas não a sua pergunta, que acho bastante pertinente.
      Expressões da poesia pelo concreto já não é mais experimentalismo.
      Ela existe e existem nomes fortes nela podendo ser ela também, já considerada como contemporânea.
      O problema mesmo, é com o mundo e as pessoas. Elas é que estão cada vez mais distantes da poesia, que não conseguem “enxerga-la”.
      Ora, danem-se os que não podem. Não pertence mesmo a eles…

    • 5 Djabal // 14 1 2008 às 8:05

      Assisti um vídeo parecido com a imagem fluindo desde a via láctea, até a célula de uma planta e desde então meu sentido de escala, de semelhanças, e agora com o seu, de temporalidade, nunca mais foi o mesmo.
      Dar a devida importância às coisas, é uma lição que talvez nunca aprendamos.
      Grande ajuda, grande lembrança. Parabéns.

    • 6 Tiago C. Von Randow // 8 2 2008 às 13:06

      … a importância das coisas, algo difícil de mesurar. Não gosto (me incomoda) quando comparam a importância de um ser humano à grandeza de pedras e gases. São belos, são fugazes, como nós… mas inconscientes, talvez melhor seja dizer acientes… só nós podemos atribuir importância aos pedaços do mundo, e sentir, o que já adiciona uma grandeza que não se pode comparar; o resto, é um profundo e caótico silêncio, grande ou pequeno.

      de mais a mais, outros falaram melhor que eu:

      O SUICIDA (A rosa profunda, p. 99 ), J.L.Borges

      Não restará na noite uma estrela.
      Não restará a noite.
      Morrerei, e comigo a soma
      Do intolerável universo.
      Apagarei as pirâmides, as medalhas,
      Os continentes e os rostos.
      Apagarei a acumulação do passado.
      Farei da história pó, o pó em pó.
      Estou mirando o último poente.
      Ouço o último pássaro.
      Lego o nada a ninguém.

      http://br.youtube.com/watch?v=Autc0-wK_7E

      http://br.youtube.com/watch?v=VfYbMjbadKY

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