Eu lembro de um tio que costumava rabiscar seu nome no lado de fora das páginas fechadas de seus livros ou de um vizinho que escrevia coisas e fazia desenhos nas beiradas da lista telefônica.
Mas isto é um pouco mais sutil e belo:
Como você deve ter percebido, a imagem só aparece quando as páginas são dispostas em determinada posição.
Para conseguir esse efeito, o artista prende as folhas do livro que vai ser ornamentado em uma espécie de prensa, na posição em que ele deseja que a pintura seja exibida.
Sabe aqueles livros que você abre e uma dobradura surge do meio das páginas?
Geralmente eles são destinados a um público infantil. São os pop-up books cuja melhor tradução que me
Para ler este livro, antes você precisa pô-lo no forno.
Na verdade, trata-se do relatório anual de uma companhia de alimentos. Foi criado por uma agência croata. Quando você o abre,
Como alguém que passou a adolescência jogando aqueles antigos adventure games no computador, esta característica com certeza me remeteu à idéia dos Easter Eggs, pequenos detalhes incluídos nos jogos por seus programadores, que não estão óbvios de primeira, mas que são dados ao jogador como um “prêmio” por sua curiosidade após cumprir certa sequência “secreta” de operações.
pra mim é vanguarda, porque traz beleza a um instinto natural, ao menos – entendo eu, pra quem lida com livros desde criança. Claro, há aqueles que crucificariam alguém que escreve/desenha em livros… - há quem faça arte. E uma arte que sobrevive, e inova, da beleza que produz como objete de arte, e não daquilo que diz, dando preponderância ao meio (livro) em relação à pintura. Ou seja, o que impressiona na “fore edge painting” é o fato do desenho estar no livro, e não propriamente o que está desenhado. A essa “quebra”, o artista agrega o desconhecido, o segredo, - que, pra mim, é o detalhe mais assustador, e bonito. Fiquei imaginando em impressionar com um destes nas minhas mãos. É apaixonante; fizessem comigo, cara a cara, me derretia rs.
E, sobre o caso da bíblia, quero dizer o que digo sempre:
“uma obra-prima te rebaixa ao céu”.
Tão grande em sua sutilidade…
E, sim, contradições se explicam, na maioria das vezes, em sua própria condição de contradição.
Pode-se até achar “defeitos” – exercendo a crítica –, como p. ex. dizer que o meio sobrepõe-se à mensagem, ou que não há mensagem alguma além da “encontre-me/decifre-me, se não te devoro”, entre outras coisas suficientemente tentadas; mas, – no sentido contrário, pode-se dizer que é justamente isso que ele, o artista, usa pra contar sua “história”. Talvez ele diga tudo. Talvez ele diga o nada. Nas duas opções, acho que ele acerta.
Vou tentar em casa, com prosa. Ou, com este título: “soneto escondido no lado livro”, em poesia.
7 comentários até agora ↓
1 Fábio // 11 1 2008 às 6:47
Como alguém que passou a adolescência jogando aqueles antigos adventure games no computador, esta característica com certeza me remeteu à idéia dos Easter Eggs, pequenos detalhes incluídos nos jogos por seus programadores, que não estão óbvios de primeira, mas que são dados ao jogador como um “prêmio” por sua curiosidade após cumprir certa sequência “secreta” de operações.
2 Fernanda // 11 1 2008 às 11:09
Fiquei humilhada. Eu fazia palitinhos que andavam na medida em que a gente mexe as páginas e me sentia um gênio! :P
3 Emilio // 11 1 2008 às 12:10
Putz, o primeiro livro lah eh uma biblia? Olha o tamanho…
Nunca imaginei esse tipo de coisa. Legal.
4 Neto Cury // 11 1 2008 às 16:57
Caraca que interessante, isso é novidade para mim, nunca tinha visto ou ouvido falar.
Abração
5 vinicius // 11 1 2008 às 19:43
Numa primeira olhada, bem rapidinha.
pra mim é vanguarda, porque traz beleza a um instinto natural, ao menos – entendo eu, pra quem lida com livros desde criança. Claro, há aqueles que crucificariam alguém que escreve/desenha em livros… - há quem faça arte. E uma arte que sobrevive, e inova, da beleza que produz como objete de arte, e não daquilo que diz, dando preponderância ao meio (livro) em relação à pintura. Ou seja, o que impressiona na “fore edge painting” é o fato do desenho estar no livro, e não propriamente o que está desenhado. A essa “quebra”, o artista agrega o desconhecido, o segredo, - que, pra mim, é o detalhe mais assustador, e bonito. Fiquei imaginando em impressionar com um destes nas minhas mãos. É apaixonante; fizessem comigo, cara a cara, me derretia rs.
E, sobre o caso da bíblia, quero dizer o que digo sempre:
“uma obra-prima te rebaixa ao céu”.
Tão grande em sua sutilidade…
E, sim, contradições se explicam, na maioria das vezes, em sua própria condição de contradição.
Pode-se até achar “defeitos” – exercendo a crítica –, como p. ex. dizer que o meio sobrepõe-se à mensagem, ou que não há mensagem alguma além da “encontre-me/decifre-me, se não te devoro”, entre outras coisas suficientemente tentadas; mas, – no sentido contrário, pode-se dizer que é justamente isso que ele, o artista, usa pra contar sua “história”. Talvez ele diga tudo. Talvez ele diga o nada. Nas duas opções, acho que ele acerta.
Vou tentar em casa, com prosa. Ou, com este título: “soneto escondido no lado livro”, em poesia.
6 Siteja // 13 1 2008 às 9:22
Muito interessante! Nunca tinha visto algo do gênero. Vou até dar uma pesquisada, para ver se encontro outros…
7 Daniela // 17 1 2008 às 9:28
Que lindo.
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