Para os corruptos é bom não estarmos em Lilipute

10 12 2007 por Alessandro Martins
· 5 comentários

Continuo a ler As Viagens de Gulliver, de Swift, e permaneço a me perguntar por que não fiz isso antes.

Talvez porque as adaptações para animação na infância fossem meio chatas.

Enfim, observe a admiração com que o personagem descreve alguns aspectos legais de Lilipute, reino em que - para quem não sabe - os habitantes não têm mais que 15 centímetros de altura:

Consideram a fraude maior crime do que o roubo e, por conseguinte, raro deixam de castigá-la com a morte; pois alegam que o cuidado e a vigilância, aliados a um entendimento comum, podem preservar dos ladrões os bens de um homem, mas a honestidade não tem defesa contra uma astúcia maior; e visto serem necessárias perpétuas relações de compra e venda e operações de crédito, em que a fraude é permitida e tolerada, não havendo leis que as punam, o comerciante honesto sai sempre perdendo e o maroto, ganhando.

Tal se vê que os liliputeanos têm padrões éticos e estatura com medidas outras quando comparadas às nossas.

Com leis assim, nosso poder legislativo estaria inviabilizado. E, pensando bem, também nosso executivo e nosso judiciário. Não sobraria ninguém para fazer, aplicar e executar as leis.

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    Tags: O prazer de ler

    5 comentários até agora ↓

    • 1 Djabal // 10 12 2007 às 10:29

      Bom dia Alessandro;
      Nesse final de semana iniciei, com um pouco de inquietação, a leitura do ‘Romance do início, ou Início do Romance’ de Marthe Robert. Ele é uma grande fã, aparentemente, do Swift, e dá uma visão muito interessante do assunto. Fiquei com a leitura dele programada logo após o término. A visão dela, é tão boa, a ponto de indicar a leitura para seu prazer. Se é que você não fica chateado com recomendações assim. Abração.
      PS. Se tivéssemos humor tudo seria melhor. Digo pelo tom bem humorado do seu post, como sempre.

    • 2 Marco // 10 12 2007 às 12:48

      Já leu Sterne? Tristram Shandy é outro romance espetacular da época. Se não leu, fica a recomendação, é absolutamente fantástico e moderno, uma sátira perfeita aos costumes da época e ao ser humano em geral… Abraços

    • 3 J@de // 10 12 2007 às 14:06

      Eu sempre chego aqui na hora certa!! Lembro de Gulliver quando criança, nos filmes, infelizmente não tínhamos tantos livros assim, mas valeu muito a dica!!
      E mais a dica dos livros prá ouvir, dia desses eu pensava que falta tempo prá ler alguns clássicos, agora não tenho mais desculpas!!
      Valeu, beijos!!

    • 4 _Maga // 11 12 2007 às 0:22

      E hoje, sobra quem?

      bjos

      (eu ainda não li este livro também! vai para a lista! rs valeu!)

    • 5 Anny // 11 12 2007 às 7:52

      Oi Alesandro: Fico triste quando penso neste assunto. Penso que a contruibuição que pude dar foi educar meus filhos com valores internos para abominar estes procedimentos que hoje vemos no executivo e no judiciário.
      Bjos

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