O que fazer quando Gulliver resolve ir ao banheiro em Lilipute?

5 12 2007 por Alessandro Martins
· 4 comentários

Comecei a ler Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, e confesso que nunca havia pensado o que acontecia quando ele resolvia aliviar os intestinos.

Já que o assunto na internet tem sido o destino das necessidades fisiológicas ultimamente, convido o leitor a refletir alguns instantes.

Para os liliputeanos, Gulliver era um gigante. Logo qualquer coisa que ele produzisse seria gigante. Lágrimas gigantes, gotas de suor gigantes e tudo o mais - você entendeu - gigante.

Se não me engano, nos zoológicos e nos circos, existem funcionários especializados nesse assunto quando se trata de elefantes.

Mas Swift, foi esperto. Sabendo da grande preocupação da humanidade quanto a dar fim a seus dejetos, logo no segundo capítulo dá cabo à questão. Obviamente, para que, durante o andamento do enredo, a mente dos leitores não vagasse por prados outros que não os liliputeanos. Ainda que mais adubados.

Relata-nos o personagem:

Havia algumas horas que me apertavam extremamente as necessidades da natureza; o que não era de admirar, pois fazia quase dois dias que eu me aliviara pela última vez. Senti-me em grandes apuros, premido pela urgência e pela vergonha. O melhor expediente que me ocorreu foi entrar de rojo em minha casa, o que fiz; e fechando a porta, afastei-meaté onde o permitia o comprimento da corrente, desonerando o corpo da incômoda carga. Mas foi a única vez em que fiz coisa tão pouco asseada; da qual me é lícito esperar que me desculpe o amável leitor depois de haver cabal e imparcialmente considerado o meu caso e o desespero que me possuía. A partir dessa ocasião habituei-me, assim que me levantava, a fazer o serviço ao ar livre, à maior distância permitida pela corrente, e todas as manhãs, antes que chegasse gente, a repulsiva matéria era cuidadosamente levada em carrinhos de mão, por dois criados designados para esse fim. Eu não me teria estendido tanto num assunto que, à primeira vista, poderá pareceu pouco importante, se não julgasse necessário salientar, perante o mundo, os meus hábitos de asseio, que, segundo consta, foram postos em dúvida pelos meus detratores, nesta e em outras ocasiões.

Considerando o tamanho dos dois servos liliputeanos encarregados, pobres deles. Haja carrinho de mão. Êta tarefa ingrata.

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    Tags: O prazer de ler

    4 comentários até agora ↓

    • 1 Neto Cury // 5 12 2007 às 17:48

      Ele era um tremendo de um cagão folgado, isso sim! :D

      Sr Gulliver, você é um fanfarrão cagão!

    • 2 Anny // 5 12 2007 às 18:01

      Fala sério, pensei que este assunto só era de interesse de criança, descobrindo e se descobrindo no mundo. Seres humanos são interessantes, mas também podem ser bizarros.
      Êta mundo vei sem porteira!
      Abraço

    • 3 Flávia // 6 12 2007 às 10:35

      Hahahahaha! Imaginei a cena! Acho que daria uma animação interessante. Gosto de fazer animações sobre este lado bizarro das pessoas :)

    • 4 Esdras // 9 12 2007 às 14:04

      Melhor que isso só as eternas discussões de como o Surfista Prateado faz xixi.

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