Abcdefghijklmnopqrstuvwxyz

15 10 2007 por Alessandro Martins
· 6 comentários

Encontrei uma coisa muito legal no Creative Think, sobre criatividade. O editor do blog explica que certa vez perguntaram a um artista, Jasper Johns, sobre o que era o processo criativo.

Ele respondeu que ele se dá quando você toma algo e faz alguma coisa com isso. E, depois, faz outra coisa com o resultado. E, depois, outra. Depois de um tempo nessa atividade, você talvez tenha algo.

Então o editor, Roger Von Oech, lembra com isso de um anúncio que certa vez ele viu e que, aqui, traduzo muito livremente:

abcdefghijklmnopqrstuvwxyz

Na biblioteca mais próxima isto está combinado de modos que podem fazer você rir, amar, odiar, se espantar, pensar e entender.

É espantoso ver o quê estes 26 pequenos símbolos podem fazer. Nas mãos de Shakespeare eles se tornaram Hamlet. Mark Twain moldaram-nos em Huckleberry Fin. James Joyce revirou-os em Ulisses. Gibbon fez com eles Declínio e Queda do Império Romano. Milton esculpiu Paraíso Perdido.

A criatividade pode vir dos recursos mais simples e escassos.

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    Tags: Arte · O prazer de ler

    6 comentários até agora ↓

    • 1 Fanny Webber // 15 10 2007 às 11:21

      O processo criativo é muito pessoal para ser “generalizado”, posso surgir dos mais diversos meios. A partir de uma situação, uma emoção, um “estralo”.

      Realmente os 26 símbolos, nas mãos certas, podem fazer milagres.

    • 2 Ulisses Adirt // 15 10 2007 às 16:38

      Adorei.

    • 3 Mario Castro // 15 10 2007 às 18:09

      Talvez uma das maiores utopias seja imaginar a fronteira do processo criativo. Todos que tentaram, esbarraram apenas na parede de suas próprias limitações.

      Quanto aos 26 símbolos, cabe fazer um paralelo, para contribuir com a ilustração desse potencial criativo, com as 7 notas musicais, ou as cores primárias. A capacidade que a criatividade humana tem de fracionar e moldar esses elementos é impressionante.

      E o mais incrível é que nós, leitores, ouvintes ou apreciadores de uma obra de arte, podemos contribuir com esse processo dando uma leitura pessoal e inteiramente nova. Ou seja, o processo criativo nunca cessa.

      Grande abraço!

    • 4 Alexandre Kovacs // 15 10 2007 às 21:44

      Acho que o Mario Castro esgotou o assunto no excelente comentário acima. Vale lembrar que as sete notas musicais na verdade são doze, se considerarmos os sustenidos e bemois e as cores primárias se multiplicam se considerarmos as secundárias. Só confirma o que ele mesmo concluiu, o processo criativo nunca cessa.

    • 5 Anna // 16 10 2007 às 8:23

      Oi Alessandro:
      Escrevi algumas coisas que foram pra o buraco negro da Internet. Ah, isto não importa. ” A criatividade pode mesmo vir dos recursos mais esparsos.”
      Vc disse tudo.
      Beijos.
      Anna

    • 6 Rui de Lucca // 19 10 2007 às 12:10

      Exatamente. É tão fácil de se acostumar à língua na qual somos alfabetizados que esquecemos dos primeiros meses da primeira série onde tudo gira em torno das vogais e consoantes e, não raro, passamos a enxergar apenas palavras e frases.

      Obs: Quando digo “nos”, estou tratando de eu e minha sombra.

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