Um bom argumentador pode tanto usar argumentos sólidos ou, como um mágico, fazer com que o seu discurso flutue na tênue névoa das falácias sem que você sequer se dê conta de que isso aconteceu, acreditando em tudo o que ele diz.
Sozinha, uma falácia não chega a ser uma mentira, mas é um argumento ou técnica discursiva com aparência convincente que pode servir para sustentar uma.
O Norberto Kawakami, do Escrita Torta, publicou um pequeno Guia do Debatedor de Falácias, com 12 tipos de falácias que você pode encontrar por aí.
Às falácias por ele arroladas, eu acrescentaria a Falácia da Autoridade Vaga.
É quando, para dar veracidade a um fato qualquer, busca-se o aval de especialistas indefinidos.
Por exemplo:
- “Segundo cientistas americanos, a soja transgênica é benéfica à saúde.” Que cientistas, cara pálida? De que instituição? De que universidade? Pagos por quem?
- “A crítica especializada disse que o espetáculo é uma das coisas mais fantásticas que já passou pelos palcos brasileiros.” Que crítico? De que jornal? Quantos críticos disseram isso? Não houve críticos dizendo outra coisa?
O livro O Mundo Assombrado Pelos Demônios, de Carl Sagan, tem um capítulo só sobre esse tema. Se você não quiser comprar o livro, embora eu o recomende veementemente, pode ler online o trecho A Arte Refinada de Detectar Mentiras.




5 comentários até agora ↓
1 Lady Cronopio // 19 9 2007 às 10:18
rsrsrs…
Macacos, hein?
Este devia escrever também sobre a arte do teclado afiado!
Muito bom.
2 osrevni // 19 9 2007 às 12:54
Sem querer bancar o pentelho, mas já bancando, o argumento de autoridade sempre foi considerado inválido pela Lógica. Mesmo que você cite o maior dos especialistas, isso não é um indicador de validade do silogismo.
3 Simone // 19 9 2007 às 18:57
O Duvido (duvido.com) também tem uns tópicos interessantes sobre o assunto.
4 k // 23 9 2007 às 0:50
isso me lembra um texto que eu li e que me fez morrer de rir. um pesquisador, querendo mostrar como resultados de pesquisas podem ser direcionados (pelo menos a atenção durante a pesquisa), provou que determinados signos tinham mais acidentes assim ou assado. outros signos sofriam mais disso ou daquilo. e publicou. pra depois revelar que ele queria provar exatamente isso: que se pode provar qualquer coisa. :-)
5 _Maga // 18 10 2007 às 18:30
Esses tempos eu deixei um comentário falando sobre a importância da formação científica na faculdade - se possivel no colégial, no ensino fundamental, e na escola aberta da terceira idade… - mesmo para cursos como jornalismo? Esse é um dos motivos.
Tive a felicidade de poder ler vários capítulos deste livro como parte da disciplina de Psicologia Geral na faculdade - disciplina da qual tive a felicidade de ser monitora depois. E também recomendo a leitura do livro, como uma boa introdução a ciência.
Como diz o Drummond:
“Chegou um tempo em que a vida é uma ordem
A vida, apenas, sem mistificação”
Beijos
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