Deve-se ler ou não ler: sobre livros, mas podia ser sobre blogs

30 8 2007 por Alessandro Martins · 4 comentários

Júlia leu-me, pouco antes de irmos para a cama, um texto irresistível de Oscar Wilde, que por já estar em domínio público e por ser delicioso, publico quase que na íntegra:

Deve-se ler
ou não ler

Os livros podem ser muito comodamente divididos em três classes:

1. Os livros que se devem ler, como as Cartas, de Cícero (…)
2. Os livros que se devem reler, como Platão e Keats (…)
3. Os livros que não se devem ler nunca, como As Estações, de Thomson (…); todos os livros de argumentação e todos aqueles em que se tenciona provar alguma coisa.

A terceira classe é, de muito, a mais importante. Dizer às pessoas o que devem ler é geralmente inútil ou prejudicial, porque a apreciação da literatura é questão de temperamento e não de ensino.

Não existe nenhum manual do aprendiz do Parnaso, e nada do que se pode aprender por meio do ensino vale a pena aprender-se.

Mas dizer às pessoas o que não devem ler é coisa muito diferente e atrevo-me a recomendar este tema à Comissão do projeto de ampliação universitária.

Realmente é uma das necessidades que se deixam sentir, sobretudo neste século em que vivemos, em um século que lê tanto, que já não se tem tempo de admirar, e em que se escreve tanto, que já não se tem tempo de pensar.

Quem escolher no caos de nossos modernos programas os Cem Piores Livros e publicar a lista deles, fará um verdadeiro e eterno favor às gerações futuras.

***

Fica aqui, portanto, uma homenagem a editores de blogs que merecem ser lidos: meu amigo Paulo Polzonoff Jr, que conheço, ao Edson, do Sententia, que não conheço pessoalmente, e ao Alexandre Soares Silva, que não conheço nem de trocas de email, mas de quem li o divertidíssimo livro Morte e Vida Celestina, que está na classe dos que devem ser relidos.

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    Tags: Livros e afins

    4 comentários até agora ↓

    • 1 Sergio Grigoletto // 31 8 2007 às 3:57

      100? Pode esperar um pouco para a lista?
      Mas estou esperando por Paulo Coelho e nem sei se pode ser enquadrado na categoria “livro”.

    • 2 Alexandre Kovacs // 2 9 2007 às 12:40

      Alessandro, já que você citou Oscar Wilde, gosto muito desta frase dele (frasista fabuloso) que me parece atualísima, apesar de estar fazendo um século de aniversário :

      “Antigamente, livros eram escritos por homens de letras e lidos pelo público. Hoje em dia, livros são escritos pelo público e lidos por ninguém.”

      Não é uma declaração premonitória dos blogs atuais (exceções à parte)?

    • 3 Ed // 2 9 2007 às 16:49

      Pôxa, meu caro. Obrigado. Não sei como só fui ver este post hoje, deus do céu.

      Gosto demais do Wilde, você sabe. Tenho aqui uma edição do Intenções, livro meio difícil de encontrar, acho. Já leu?

      Abraço.
      E a gente ainda encontra para tormar um chá, sei lá.

    • 4 _Maga // 2 9 2007 às 23:09

      “Quain costumava argumentar que os leitores eram uma espécie já extinta. Não há europeu (suscitava) que não seja um escritor em potência ou em ato.” p. 77, Jorge Luís Borges, Ficções.

      Beijos

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