O papel ou o papelão da editora Planeta no caso da biografia de Roberto Carlos

18 7 2007 por Alessandro Martins · 5 comentários

Muito se falou da responsabilidade de Roberto Carlos sobre a não permissão do comércio de sua biografia Roberto Carlos em Detalhes.

Até o escritor Paulo Coelho manifestou-se a respeito da atitude do fanho cantor.

Agora a poeira baixou um tanto. É hora de falar da outra interessada no caso, tão responsável quanto o biografado.

Como expliquei em artigo anterior, a justiça não se manifestou sobre a proibição ou não do livro. Tudo se deu através de um acordo entre a editora Planeta e Roberto Carlos.

A editora Planeta só vem mostrar que há muito essas entidades deixaram de representar os interesses dos escritores, dos leitores e da literatura e afins.

Para não ficar em um só caso, o Paulo Polzonoff Jr. também teve o seu perfil de Manuel Bandeira deixado de lado pela Relume-Dumará, que tremeu nas bases quando um parente do poeta se manifestou.

O autor da biografia Roberto Carlos em Detalhes, o jornalista Paulo César de Araújo, em algum momento disse que, conforme o acordado entre as partes - leia-se editora e cantor -, ele não poderia se manifestar.

Então amordaçado, Araújo fez somente - pelo que pude ler na biografia que se encontra para download facilmente na internet - um trabalho correto. Trata-se de um texto de uma pessoa que, claramente, admira ou admirava Roberto Carlos.

Além do recolhimento dos exemplares e da proibição do comércio do livro, os demais termos do acordo entre a editora Planeta e o cantor Roberto Carlos são desconhecidos. Valores que tenham circulado de lado a lado, por exemplo.

Aqui há duas hipóteses:

  • A editora teve medo do que viria a pagar em caso de derrota em um processo contra o fanho cantor.
  • A editora ficou feliz, recebendo algum valor da parte interessada no recolhimento das edições.

Não sei qual das duas possibilidades é pior. Creio que a segunda.

Mesmo a primeira, porém, não me parece tão justificável. Afinal, para conservar-se bem eticamente - coisa que, acredito, não tem preço -, a empresa precisaria apenas abrir mão do lucro de alguns de seus autores mais vendáveis.

Como Paulo Coelho. Você sabe. Aquele que manifestou-se contra a atitude de Roberto Carlos e até disse algumas palavras sobre a possibilidade de sua editora ter agido de maneira covarde.

Disse ele:

Gostaria que minha editora, dinâmica, corajosa, se instalando agora no Brasil, explicasse a todos nós, brasileiros, o que significa esse tal de “contexto desfavorável”.

“Contexto desfavorável” foi a desculpa - um tanto misteriosa - usada pela editora para o acordo.

Mas, pelo que sei, os livros de Coelho continuam saindo pela Planeta.

Talvez o ex-mago tenha considerado, no momento, o contexto desfarável para deixar a empresa, ainda que ela seja pouco corajosa. Pouco corajosa para sermos eufemistas e não partirmos para termos que, como esse, não se aplicam a pessoas jurídicas.

A sugestão do advogado de Roberto Carlos de se reciclar o papel dos livros - e não queimá-los como de início se sugeriu - só me fez rir. Como se se tratasse de papel. Talvez o papel reciclado seja usado para imprimir livros de Paulo Coelho. Mas não sei nada sobre esses detalhes tão pequenos de nós dois.

A Planeta é só uma das editoras de um mercado cada vez mais fanho e do tempo em que usar ombreiras enormes era considerado algo bonito. Já existiu um tempo assim? Acho que não.

Novos tempos portanto.

Tempos em que escritores e leitores precisam confiar mais em si mesmos e menos naqueles que, como se vê, estão pouco interessados na leitura em si.

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    Tags: Livros e afins

    5 comentários até agora ↓

    • 1 _Maga // 19 7 2007 às 0:26

      Talvez a inconstância dos leitores no pais também ajude a esse quadro. Não tendo um publico bem formado, o poder de pressão sobre as editoras cai. Com a televisão poderia-se fazer um movimento como: desligar a televisão toda vez que o Roberto Carlos aparecer. Com as editoras faz-se o que? Deixar de comprar livros?? Não era para ser engraçado, mas está me fazendo rir. Parece-me que o maior sutentador das editoras é o governo. O leitor final tem um poder pequeno sobre isso…

      Beijos

    • 2 João Varella // 19 7 2007 às 17:04

      “Contexto desfavorável” deve ter sido pelo fato do juiz ter pedido um autógrafo e sacado fotos com o cantor antes do início da sessão.

    • 3 lice // 29 7 2007 às 15:51

      A ñ publicação fez mais barulho do faria a publicação,cuidado o cantor vai entrar na justiça contra quem o acha fanho.Enganaram ele quando disseram que ele era rei,agora agüenta, fico triste pelo autor que se dedicou por alguém que ñ merecia,para os outros envolvidos é só dinheiro.

    • 4 Moacir Barra Yllana // 11 4 2008 às 22:07

      Escrevi um livro intitulado “Cidade mais Segura”
      cujo tema é sobre a segurança em geral, críticas e sugestões. Pergunto: Se há interesse em publicá-lo? Tenho um resumo para apreciar. Grato.

    • 5 Alessandro Martins // 14 4 2008 às 9:03

      Moacir,
      não tenho editora. Sugiro que procure uma se seu interesse é esse. Abraços do Alessandro e boa sorte.

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