Use o telefone público como um mafioso

12 7 2007 por Alessandro Martins · 6 comentários

Duas coisas são certas nessa vida. Garotos e garotas adoram brincadeiras com códigos e mafiosos sempre detestaram vândalos que destroem telefones públicos.

Quanto à primeira afirmação, aí está a língua do pê que não me deixa mentir.

Quanto à segunda, recorro ao livro Honrados Mafiosos, de Gay Talese, do qual falei recentemente. Para fugir dos telefones grampeados, os mafiosos recorriam a um interessante expediente.

Possibilitara ao velho Bonanno, por exemplo, utilizar o telefone de sua casa, que era censurado, para ligar para a casa de seu filho, cujo telefone também era censurado, e travar com ele conversa muito familiar em dialeto siciliano na qual inseria dois números que indicavam que desejava falar em particular com ele. O primeiro número indicava o local da cabina aonde Bill deveria ir, e o segundo estabelecia a hora em que ele deveria estar lá. Então, pouco antes da hora marcada, Joseph Bonanno ia a uma cabina, discava para o filho na outra cabina e conversavam livremente, sem se preocuparem com censuras.

Quando Bonanno foi raptado, por exemplo, o filho lembrou que fora instruído pelo pai a comparecer em uma determinada cabina, toda quinta-feira, às oito horas, até que ele entrasse - um dia - em contato. A tática, de fato, teve utilidade a certa altura.

Por isso, meus caros vândalos - caso algum leia este blog -, antes de quebrarem um orelhão pensem que você pode estar comprando briga com gente graúda.

O bom funcionamento de cabinas públicas era de importância vital para ele e os outros homens, e Bill sabia o quanto, vez por outra, eles ficavam furiosos com telefones enguiçados e como juravam vingança contra os vândalos que estragavam os telefones públicos. Sempre que descobriam um aparelho que estivesse mudo, avisavam à companhia telefônica e mais tarde voltavam à cabina para verificar se o aparelho havia sido consertado, e para ter certeza de que o número não fora mudado. Se tivesse, anotavam o novo número numa lista particular que guardavam nos carros - contendo não só os números dos telefones e as localizações das cabinas, como também um número de identificação que distinguia uma cabina da outra.

Lembro de uma série muito bacana da década de 80 chamada Stingray. O camarada, um sujeito misterioso, ajudava as pessoas. Ao ajudá-las, elas ficavam devendo favores que ele utilizava para ajudar outras pessoas. Em cada episódio ele ajudava alguém com o favor devido por outro personagem, além de usar suas impressionantes habilidades de sujeito misterioso. Uma delas era ter decorado um livro inteiro. Assim, a mocinha para se comunicar com ele precisaria apenas dizer várias seqüências de dois números, um que correspondia à página do livro e o outro que correspondia ao número de ordem da palavra na página. Ainda que o telefone estivesse grampeado, ninguém entenderia nada a não ser que tivesse o mesmo livro que ela.

Por que estou falando sobre todas essas coisas? Sei lá. Primeiro porque garotos e garotas adoram brincadeiras com códigos. Aí está a língua do pê que não me deixa mentir. E segundo porque nunca se sabe quando o telefone de sua casa estará grampeado. Um dia desses, ainda que de brincadeira, essas coisas poderão ser úteis.

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    Tags: Livros e afins

    6 comentários até agora ↓

    • 1 _Maga // 12 7 2007 às 11:28

      E porque, de uma forma ou de outra, os livros entraram no meio…

      Ou será que este post mesmo é um código?

      vai saber… rs

      Alias, pessoas em geral adoram brincadeiras do código, ou o que mais é a linguagem?

      beijos

    • 2 Daisy Carvalho // 12 7 2007 às 15:51

      Por isso gosto dessa linguagem jornalística, tem sempre uma informação e uma espécie de aviso. Telefones são o próprio código… e língua do pê rs, que boa lembrança… muito bom, Ale!!!

    • 3 Cristina L. // 13 7 2007 às 0:18

      Quando eu tinha padaria, e tinha um telefone público na frente, viviam arrancando o bocal. Daí um dia um marginalzinho do bairro contou que no bocal vinha uma peça pontuda, de vidro, que se jogada com força no vidro de um carro, quebrava o vidro sem ativar o alarme. Blog também é cultura marginal.

    • 4 Ulisses Adirt // 13 7 2007 às 6:19

      Postagem para ajudar vândalos e políticos corruptos…

    • 5 k // 13 7 2007 às 10:26

      gostei, gostei…

    • 6 Neto Cury // 15 7 2007 às 3:35

      Muitos políticos poderiam aprender esses macetes, porque eles são muito burros para, ainda nos dias de hoje, combinarem preço de corrupção por telefone hehehehe
      Abração

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