É a um só tempo curioso, emocionante, engraçado e triste ver os documentos contidos e disponíveis em PDF no site Censura Musical.
Acabei de receber o convite do jornalista André Rocha para visitar o site por ele desenvolvido ao lado dos colegas Gabriel Pelosi e Lucas Mota:
… onde estão disponíveis documentos do período de censura no Brasil. Também estão publicadas entrevistas com cantores, compositores e depoimentos inéditos de uma ex-técnica de censura que relata o cotidiano da DCDP (Divisão de Censura de iversão Públicas).
O site, que nasceu de um trabalho de graduação traz fac-símiles de documentos originais da censura tais como:
- Censura à música Tradição, de Gilberto Gil, em que o censor pede atenção às palavras “barbalho” e “porrada” e à expressão “arranjada de contrabando”.
- Censura à música Tanto Mar, de Chico Buarque, com os pareceres da censora. O documento tem ainda uma segunda parte.
- A explicação de Odair José sobre a polêmica - para a época - Pare de Tomar a Pílula. No final, o censor se deixa convencer.
- O supra-sumo da paranóia censora em um documento que supõe a existência de uma entidade que incentiva a produção de músicas de protesto na América Latina.
Não deixe de ver também a carta em que Chico Buarque tenta acalmar os ânimos de um dono de boate, preocupado com o fato de que algumas das músicas a serem tocadas em um espetáculo tinham problemas com a censura.
Registro também que fico feliz com o fato de cada vez mais este blog ser procurado para a divulgação de novos projetos como o desses três amigos que, dizem, devem fazer constantes atualizações ao Censura Musical.
Recentemente, tive o prazer de divulgar o site LeituraDiária e o Rafael, seu criador e desenvolvedor, contou-me que apenas no dia em que o artigo foi publicado 80 novas inscrições foram feitas.
5 comentários até agora ↓
1 _Maga // 10 7 2007 às 23:16
Olá Alessandro…
É vergonhoso o passado de censura… o pior é que quem fazia música nesta época foi educada em outra, em que a criatividade, a critica ainda eram saberes valorizados na educação. O duro somos nós (pelo menos digo por mim) herdeiros da educação da ditadura que não temos nem criatividade para fazer uma música desta, nem interpretação de texto desenvolvida para compreende-las.
Esses tempos o Chico Buarque, em uma entrevista, explicava como eles faziam as músicas já preparadas para a censura. Segundo ele tinha uma “gordura” na música para que fosse cortada mesmo. Interessante, não?
Beijos
2 Diego // 11 7 2007 às 8:58
Ale,
Adorei esse site. Só senti falta de documentos censores do Taiguara, que foi - aliás - o artista com mais músicas censuradas no país.
3 k // 11 7 2007 às 12:33
e, se a gente pára pra pensar, não faz muito tempo… eu já tive um disco riscado qdo era pequena. e me lembro até hoje daquelas telas que passavam na tv antes dos programas…
e minha mãe quase foi presa…
maga, sempre prensei muito nisso que vc falou. acho que estamos ainda numa fase de se fazer qualquer coisa mesmo. sabe o efeito da mola? depois que a gente aperta e solta? o foda é que o “fazer qualquer coisa” pegou na educação também. sem educação, não adianta liberdade nenhuma. aliás, falta de educação nunca foi liberdade. as prisões hoje são outras…
4 Daisy Carvalho // 11 7 2007 às 16:45
Fantástico este site, valeu Ale! Trata-se de um assunto de suma importância e que jamais deve ser esquecido. Parabéns aos jornalistas André, Gabriel e Lucas…e ao Ale, sempre antenado com notícias relevantes.
Valeu!
bj!
5 Insônia - Graciliano Ramos // 12 8 2007 às 16:42
[...] dia li no blog do Alessandro Martins, um artigo onde ele indicava um site de amigos jornalistas que baixaram umas coisas sobre MPB na Ditadura [...]
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