Despois de passar por diversas peripécias oceânicas, finalmente nosso herói se vê abandonado, sozinho em uma ilha, contando apenas com seu corpo e conhecimento para sobreviver.
É então que ele decide construir uma casa:
Optei por uma colina que me pareceu reunir todos os requisitos,e ali, suando e gemendo, construi a minha primeira casa, ao pé dum rochedo, que era como uma vasta muralha, onde se tinha a impressão de que havia uma entrada subterrânea, tal o declive do terreno. À frente da casa que ergui, levantei uma forte e alta paliçada, num semi círculo, de modo que o rochedo, defendendo-me, completava o círculo. Foi um trabalho duro, que me desgastou seriamente, mas estava satisfeito, porque a obra me pareceu tão forte que não havia o que a deitasse por terra. Para entrar na casa (não havia porta), subia-se por uma escada apoiada à paliçada, escada que, uma vez em cima da fortificação, eu retirava, passando-a para dentro. Perdoem-me os leitores se eu, no meu orgulho, chamo de casa o que, em verdade, não passava dum barracão ou duma tenda ao lado dum buraco, mas, quando, sozinho, se levanta o que quer que seja, a obra se nos afigura tão grande e tão sólida que não se pode conter o júbilo, e o que e pequeno se torna muito grande.
Muito do que aprendi até agora sobre blogs e o seu potencial como ferramenta de comunicação tem origem em outros blogs e em amigos que fiz ao longo desse ano de atividade mais intensa. Porém, não posso negar que nada provoca tanto júbilo quanto aquelas coisas que se descobre por si. E, para descobrir coisas por si, por vezes, é preciso se colocar sozinho no mundo, como em uma ilha deserta.
E, vejam só, sendo assim, até mesmo um blog pode provocar um saudável orgulho num sujeito. Quem diria?



11 comentários até agora ↓
1 Hugo // 6 7 2007 às 9:58
Pois um blog pode dar o maior dos orgulhos, o da obra feita. Mesmo que a obra não seja tão bela ou tenha alguns códigos errados.
E é tão bom, não?
2 Djabal // 6 7 2007 às 10:18
É exatamente essa a sensação. Muitíssimo bem lembrado; construir, escrever dá exatamente essa sensação de orgulho aliada a um certo alívio. Isso. Abraços.
3 Daisy Carvalho // 6 7 2007 às 12:54
Que analogia inspiradora e feliz, Ale!…
Emocionada, só me resta te dizer uma coisa: Eu já havia percebido sua semelhança com o nosso herói dos oceanos, no primeiro post. Seu blog é seu castelo Ale e tenho, e sempre tive, imenso prazer em participar.
Um beijão!
4 Simone Campos // 6 7 2007 às 15:07
Hum… tenho orgulho do novo código do meu template. Bem menos tosco que o anterior. Finalmente começo a entender esse tal de css…
5 Janaína Calaça // 6 7 2007 às 19:16
Ele chama de casa porque é aquele seu lar. Por mais simples, menos elaborado, por mais sem polimento que seja a casa, ainda assim é um lar que construímos tijolo por tijolo. Quando cuidamos da base, a construção é firme e segue em frente, mas quando é construída sem muita atenção e dedicação, logo vira pó.
Barracão ou não, é nestes pequenos espaços que nos recolhemos e nos despimos. Meu blog-barraco é minha casa, sim… é meu lar e tenho orgulho dele. :D
Abraços, querido.
Jana.
6 Lika // 6 7 2007 às 20:24
Robinson Crusoé se vivesse hoje teria um blog e não seria tão isolado :P Beijos!
7 Darlene Carvalho // 9 7 2007 às 1:22
Puxa vida! Que oportuno! Gosto tanto dos meus, tanto, tanto, que um deles eu quero que outras pessoas colaborem para ficar mais interessante ainda! Ah! É muito bom ter um cantinho só seu nesse mundão virtual, viu, com tantos vizinhos bacanas… Pobre do Crusoé solitário. Acho que a Lika tem razão: ele teria um blog!
=)) Beijos.
8 Como tratar um leitor: os 10 erros que o blogueiro não deve cometer | Lendo.org // 9 7 2007 às 12:50
[...] dia li um artigo muito interessante do querido amigo Alessandro Martins a respeito do amor do dono de blog ao ver seu projeto erguido e [...]
9 _Maga // 10 7 2007 às 23:22
Ah, fizestes uma ponte impressionante, hein? Eu li esse trecho e fiquei pensando também como é bom fazer as coisas por si. Eu, que demorei tanto tempo pra descobrir isso, pois sempre achei que o que eu fazia era pior que o dos outros, agora as vezes fico feliz depois de escrever um verso, mesmo não o sabendo bom, tenho aquela sensação ótima de coisa feita por suas próprias mãos (ideias, inspirações…). Bom, mesmo assim nem imaginei em fazer a ponto com blogs que você fez! Parabéns pela perspicácia!
beijos
10 Dia do Escritor - Parabéns André Gazola // 20 7 2007 às 9:18
[...] ao Dia do Escritor, abro também as portas do lendo.org para parabenizar o dono deste castelo literário que tantas alegrias me proporciona, a mim e a todos os leitores e amigos que por [...]
11 Anny // 25 3 2008 às 16:32
Acho que já li este texto em algum canto do seu blog. Ou não? Isto não importa agora e sim de poder partilhar este sentimento com seus comentaristas, não é mesmo?
Deixe um comentário