O milagre do livro descoberto em Robinson Crusoé

5 7 2007 por Alessandro Martins
· 10 comentários

Tenho recebido diariamente em meu email pequenos trechos do livro Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, não sem alguma emoção devo admitir. Isso é possível graças ao serviço LeituraDiária, cujo funcionamento já expliquei.

Falo sobre a emoção porque esses trechos de cinco minutos que recebo - mas que leio em menos tempo - parecem ter sido escritos por alguém que se dirige diretamente a mim. Como se fossem cartas ou mensagens em garrafas que, de alguma forma, vêm parar na minha caixa de entrada.

Um livro nada mais é do que isso. Uma mensagem em uma garrafa que atravessa o tempo ou os quilômetros ou a intransponível distância que há entre o universo de duas pessoas próximas - e tantos outros oceanos - para chegar até você.

Não um grupo de leitores. Mas um leitor. Você.

É a voz do de um autor que sobreviveu aos obstáculos e ruídos do mundo e que chega a seus olhos com a mesma forma que partiu de sua pena, de sua máquina de escrever, de seu teclado.

Milagres para serem milagres, não precisam ser misteriosos ou inexplicáveis ou místicos. Basta que aconteçam. E se você não costuma acreditar em milagres, saiba que acontece um quando você abre um livro. Ou o recebe por email. Ou o lê na tela do computador ou em qualquer outro meio que ainda será inventado.

Milagre. Mas chame esse fenômeno do que quiser.

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    Tags: O prazer de ler

    10 comentários até agora ↓

    • 1 Daisy Carvalho // 5 7 2007 às 10:12

      Oi, Ale, também estou sentindo esta mesma emoção no leitura diária. Oscar Wilde, eu precisava muito dele hehehe!
      Um beijo, amigão!

    • 2 Janaína Calaça // 5 7 2007 às 11:17

      Tenho uma grande amiga e parceira do Selva, a Carol Custódio, que sempre abria alguns livros e lia trechos pra gente durante encontros na casa do Ernesto, quando eu ainda morava em Salvador. Ela achava que estava sendo mala fazendo isso. Eu achava que ela estava nos dando um grande presente, isso sim. Tanta coisa nos atiça a curiosidade ou nos toca através de um pequenos trecho. Já arrisquei conhecer novos autores só de pescar um trecho interessante na fala do outro e nas folheadas nos Sebos. Ah! Presente bom era esse que Canunina nos dava!

      Beijos

      Jana.

    • 3 André // 5 7 2007 às 11:19

      Vou ser o teórico-careta agora: Isso aí se chama sinfronia

      :)

      Abraço!

    • 4 Rodrigo Stulzer // 5 7 2007 às 11:19

      Uma boa definição que li num livro do Stephen King (On Writing), por sinal o único livro dele que gostei mesmo, é que o ato da escrita e leitura é uma forma de telepatia através do tempo.

      O autor pensou e escreveu a frase que você está lendo a anos atrás. Você está intimamente ligado à ele, mas só através do pensamento. Telepatia pura :-)

    • 5 k // 5 7 2007 às 12:35

      post fofo, alessandro.

    • 6 _Maga // 6 7 2007 às 0:05

      Acatei a tua sugestão naquele post e também estou recebendo este livro (que queria ler a tempos, mas sempre esquecida de pegar).

      A única dificuldade é que o livro é muito bom, e quando começo a ler um trecho sempre quero ler mais e mais… nessas horas fico triste que a leitura seja curta (por outro lado tem dias que não consigo ler, ai é bacana porque se acumula no e-mail não fica muita coisa :)).

      ——–

      Gostei muito, muito, muito da tua percepção do livro (e também da ludicidade que ganhou por vim em pedaços por e-mail!!!!)

      E gostei ainda mais do final, quando você diz: “Milagres para serem milagres, não precisam ser misteriosos ou inexplicáveis ou místicos. Basta que aconteçam. E se você não costuma acreditar em milagres, saiba que acontece um quando você abre um livro.” Essa frase vai para o meu bloco de notas…

      beijos

    • 7 _Maga // 6 7 2007 às 0:08

      Hahaha -> pensei que essa frase pode ter um tom irônico se a pessoa que a lê não for uma leitora habitual “um milagre acontece quando você abre um livro” hahahahahaha

      beijos

    • 8 ana // 6 7 2007 às 10:24

      lindo

    • 9 Darlene Carvalho // 9 7 2007 às 1:17

      E eu, recebendo Edgard Alan Poe aos pedacinhos… É uma delícia!

      Obrigada, Alê! Dica maravilhosa mesmo!

    • 10 Larissa // 30 8 2007 às 13:36

      eu sou uma de suas leitoras do emocionante livro Robinson Crusoé
      Adorei

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