Palavras que Shakespeare inventou; ou não

26 6 2007 por Alessandro Martins · 6 comentários

Joel Laumans, do blog Piksels, causou alguma polêmica em seu blog ao divulgar uma lista de palavras inglesas supostamente inventadas por Shakespeare.

Segundo o editor do blog, o dramaturgo inglês teria inventado diversos vocábulos simplesmente transformando pronomes e adjetivos em verbos, entre outras técnicas.

Na verdade, o site de onde Laumans retirou a lista, não afirma que ele inventou as palavras, mas sim que em todas as suas peças, o bardo utilizou ao todo 17.677 palavras e, destas, 1.700 foram usadas pela primeira vez por ele.

A meu ver, isso não quer dizer que elas não fossem usadas popularmente antes ou que ele não as tenha ouvido em algum lugar antes de colocá-las no palco. O que não lhe tira o grande mérito de codificá-las, no entanto.

Para mim, Carlos Drummond de Andrade já disse tudo:

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero
há calma e frescura ma superfície intata
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

(A Procura da Poesia)

Portanto, por que se preocupar com quem inventa ou deixa de inventar as palavras - ou poemas - se elas já estão todas inventadas, só a espera de serem colhidas?

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    Tags: Dicas de sites sobre livros e outras coisas · Livros e afins

    6 comentários até agora ↓

    • 1 k // 26 6 2007 às 18:53

      uhum. é a mesma coisa: bell não inventou o telefone. só foi esperto.

      o que shakespeare fez foi fixar muitos termos num tempo em que as coisas eram escritas e ditas de vários jeitos. agora, se realmente inventou todos que dizem que ele inventou, não vamos saber nunca.

      Resposta: De fato, afirmar uma coisa como essas - de que ele inventou as palavras - desse jeito é meio leviano…. Beijos!

    • 2 _Maga // 26 6 2007 às 23:28

      Boas as explicações, gostei.

      Adoro esta poesia do Drummond.

      Agora… esse final foi belo, poético… e bem pouco provavel, não? rs

      beijos

      Resposta: Essa poesia, especificamente esse trecho, foi o primeiro a me chamar a atenção para Drummond. Beijos do Ale, Maga.

    • 3 Lika // 27 6 2007 às 8:42

      Essa discussão sobre a autoria de Shakespeare sobre diversas coisas em sua obra ainda causa muita polêmica, afinal se cria ou apenas se copia? Beijos

      Resposta: Nem se cria nem se copia. Alguma coisa entre as duas coisas talvez. Beijos do Ale, Lika.

    • 4 Daisy Carvalho // 27 6 2007 às 9:43

      É sabido que palavras existem porque foram inventadas. Mas os escritores, poetas e afins podem brincar com as letras e…Opa! Nasce uma nova palavra ou termo ou verbo. Já houve quem “caetanasse” feliz da vida pela aí. E, vamos combinar galera, o que seria mais gortoso que ir para Passárgada, passando antes na Ilha de Cracatoa, tomar uma água de coco, ouvindo Djavan…Até Shakespeare adoraria.
      Beijucos, Ale.

      Resposta: Vamos torcer para que a água de coco não prejudique os britânicos intestinos do bardo inglês… ;-) Beijos!

    • 5 Daisy Carvalho // 27 6 2007 às 9:47

      Ale, estou escrevendo posts com seu friend André Gazzola. Valeu mais uma vez!
      Bj,
      Daisy, sua amiga pra sempre!

    • 6 Anny // 2 5 2008 às 8:39

      Oi Alessandro:
      Concordo com o poema e Carlos Drummond e com suas palavras finais. Ponto final.

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