Ao ler Dalton Trevisan, em um primeiro momento os diálogos podem soar estranhos, sobretudo na fase anterior aos contos extremamente curtos que os chatos gostam de chamar de hai-kais, na falta de denominação melhor. Para saber do que estou falando, leia O Vampiro de Curitiba.
Frases sem sujeito, verbos no infinitivo, locuções incompletas e outras detalhes. Dói um pouco no olho. Mas basta afinar um tanto as orelhas para as conversas que se passam ao seu redor para perceber o quanto o escritor curitibano é bom de ouvido.
Para quem escreve, os diálogos são um ponto crucial, de grande dificuldade
Ele é um naturalista dos diálogos, bom ouvinte das conversas que se passam em torno, reproduzindo a fala exatamente como ela é.
De fato, para quem escreve, os diálogos são um ponto crucial, de grande dificuldade.
O André Gazola, do Lendo.org, publicou 12 Exercícios Para Melhorar Seus Diálogos, e caso você goste de escrever recomendo a leitura. A minha dica favorita é:
Escreva uma cena onde muitas pessoas estejam falando. Esta habilidade é uma característica dos mestres do diálogo, já que é muito difícil manter muitos personagens engajados em uma conversa de forma a manter o leitor consciente do que está acontecendo e das idéias e interesses de cada um dos interlocutores. Veja quantos personagens você consegue ir acrescentando, até que seja impossível entender o que está acontecendo.
Para entender com precisão a natureza desse exercício, recomendo que se assista aos filmes de Wooddy Allen, que conduz esse tipo de interação entre os personagens com mestria.




11 comentários até agora ↓
1 André // 10 5 2007 às 10:23
Que bom que vc gostou dos exercícios! Eles não são de autoria minha, mas são muito interessantes e realmente me ajudaram muito a escrever diálogos de uma forma mais natural.
Abraço e obrigado pela indicação! :)
2 Alessandro Martins // 10 5 2007 às 10:32
No entanto a tradução e a experiência pessoal são suas. Você também tem méritos, meu caro. Além disso, você citou a fonte. Abraços.
3 Diego // 10 5 2007 às 11:03
Belas dicas.
Outro mestre nos diálogos no cinema é o Tarantino. Vide Cães de Aluguel!
abraços!
4 Lika // 10 5 2007 às 11:44
Escrever de diálogos de forma natural é mesmo um desafio. Valeu por postar esse link. Beijo
5 Fabiana // 10 5 2007 às 15:03
Eu adoro essas dicas para melhorar a escrita. São muito bem vindas, sempre!
6 _Maga // 10 5 2007 às 16:16
Até agora só li um livro do Dalton, “Novelas nada exemplares” e foi este ano mesmo. Muito bom, e nos primeiros dois ou três contos o grilo era mesmo se perder nos dialogos… mas logo percebi exatamente o descrevestes: ele escreve como fala-se. Depois foi “só alegria”, ao invés de me perder, os dialogos ganharam vida e dinamismo. Adorei o livro.
Não lembro de ter escrito nenhum dialogo até hoje… quem sabe?
valeu a dica
beijo
7 Tv Retrô // 11 5 2007 às 7:13
Um livro que também é interessante para aprender diálogos, é o Ratos e Homens de John Steinbeck. Até mais.
8 Alessandro Martins // 11 5 2007 às 8:08
Do Steinbeck eu li A Rua das Ilusões Perdidas e é um dos meus favoritos… Ratos e Homens eu comecei a ler, mas estava em meio a uma viagem e o perdi… esqueci no ônibus. Abraços, meu caro.
9 Alessandro Martins // 13 5 2007 às 12:50
É um excelente exercício, Maga… recomendo!
10 João Varella // 14 5 2007 às 19:25
Farei com este post o mesmo que faço com as canequinhas do Alemão. Roubarei honestamente.
11 Alessandro Martins // 16 5 2007 às 9:09
Fiquei muito feliz, e tenho certeza de que o André também, com a citação, João. Muito obrigado!
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