A melhor indicação para um rápido e feliz contato com o escritor Mark Twain que posso lhe fazer nesse instante é a leitura do livro O Roubo do Elefante Branco, um pequeno conto menos conhecido do autor de Tom Sawyer. Ele faz pensar nas origens da tradição de humor elegante e lírico de cronistas como Fernando Sabino e Rubem Braga. O conto também lembra muito as trapalhadas da polícia francesa em A Pantera Cor de Rosa.
Tentei encontrar o livro original em que encontrei tal conto, mas, infelizmente não foi possível. Porém, a edição da Cosac Naify que traz unicamente essa pequena preciosidade parece ser bem cuidada e altamente recomendável.
O livro Contos, de Mark Twain, a que me refiro foi-me emprestado de surpresa. Encontrei um bom amigo na rua e ele estendeu-me o volume. Diante da minha recusa, insistiu, dizendo que eu precisa lê-lo. E, bem, o tenho feito, na padaria de costume. Além de O Roubo do Elefante Branco, destaco O Diário de Adão e Eva, em que os supostos primeiros moradores do planeta, em uma linguagem bastante culta para quem tem apenas alguns dias de vida, contam suas impressões inocentes acerca da paisagem que os cerca. Vejamos uma bonita passagem dos dizeres de Eva:
Levaram-me as minhas observações a predizer que as estrelas não durarão. Vi algumas - e das mais belas - desmancharem-se e caírem. Desde que assim acontece com uma delas, o fato poderá ocorrer a todas, não importa em que noite. Sei que essa desgraça sucederá… Quero todas as tardes me dispor para as olhar tanto quanto me for possível manter-me desperta. A fim de gravar a lembrança desses campos de estrelas, de maneira que, depois de seu desaparecimento, possa à minha vontade substituir no céu essas inumeráveis e esquisitas flores brilhantes… que então se desdobrarão através do véu de minhas lágrimas.
E você? Arranjou um tempo para olhar as estrelas? Você sabe… os minutos não têm tempo a perder.




11 comentários até agora ↓
1 Mário // 29 4 2007 às 15:43
Alê, sempre me cobrei por até hoje não ter lido Mark Twain. Mas não sabia por onde começar e, graças à sua preciosa dica, descobri por onde.
Obrigado pela honra de ter sido linkado por você e imensamente mais pelo link de referência.
Grande Abraço.
2 João S. Magalhães // 30 4 2007 às 12:18
Li de tudo de Mark Twain. Era meu escritor preferido quando jovem.
Aproveito a oportunidade para um convite: participar
deste meme (http://www.reporternet.jor.br/blog/?p=556
Se não quiser, no problems.
Abraços
3 Alessandro Martins // 30 4 2007 às 12:51
É um bom começo, Mário… se tudo for como esse conto, pode crer que é divertidíssimo. A Zu está insistindo há semanas que ela precisa ler o Tom Sawyer pra mim…
4 Alessandro Martins // 30 4 2007 às 12:52
Oi, João… como eu disse por e-mail estou tirando férias de memes, mas de qualquer forma saiba que você é bem vindo por aqui… Abraços!
5 Eduardo Carvalho // 1 5 2007 às 15:01
Huck Finn é um dos meus três livros favoritos. Não conheço nada mais engraçado.
6 Alessandro Martins // 2 5 2007 às 9:24
Ontem eu e a Zu começamos a ler o Tom Sawyer na cama, um para o outro, e não houve um só capítulo em que não tenhamos rachado o bico de tanto rir. Sobretudo quando Tom se encontra com Huck… afinal, para que serve um gato morto, não é mesmo, Eduardo? Abraços!
7 Ana Schuster // 15 3 2008 às 23:39
Estou procurando o conto de Mark Twain “Para curar um resfriado” e não consigo encontrar. Se alguém puder me ajudar? Mande informação para este e-mail. Muito obrigada.
8 Alessandro Martins // 16 3 2008 às 16:47
Ana,
este conto está justamente nesse livro que comente neste post. É uma coletânea de contos, mas não sei se ela é editada ainda.
Abraços!
9 Ana Schuster // 17 3 2008 às 23:53
Sei que este conto se encontra no livro Alegres Histórias de Mark Twain da Ed. Cultrix de 1956 ou 58. Parece que está esgotado. Imaginei que pudesse ser de domínio público e daí estar disponível na internet.
Abraços, Ana Schuster
10 Anny // 18 3 2008 às 8:28
Pois é. Quem mora em cidade grande tem além de outros inconvenientes não poder ver o céu qualhado de estrelas. Uma pena. E quanto aos livros de Mark Twain, bom ter uma dica por onde começar.
11 Alessandro Martins // 19 3 2008 às 16:19
Ana, seu último recurso pode ser encontrá-lo em inglês no projeto Gutenberg.
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