Pergunte ao livro se ele ama você

26 4 2007 por Alessandro Martins
· 10 comentários

Olha que bonito esse trecho do Rubem Alves:

O fato é que comecei a mudar os meus gostos e chegou um momento em que, olhando para aquelas estantes cheias de livros, eu me perguntei: “Já sou velho. Terei tempo de ler todos esses livros? Eu quero ler todos esses livros?” Não, nem tenho tempo e nem quero.

Então, por que guardá-los? Resolvi dar os livros que eu não amava. Compreendi, então, que não se pode falar em amor pelos livros, em geral. Um homem que diz amar todas as mulheres na verdade não ama nenhuma. Nunca se apaixonará. O mesmo vale para os livros. Assim, fui aos meus livros com a pergunta: “Você me ama?” ( Acha que estou louco? É Roland Barthes que declara que o texto tem de dar provas de que me deseja. Há muitos livros que dão provas de que me odeiam. Outros me ignoram totalmente, nada querem de mim… ). “Vou querer ler você de novo?” Se as respostas eram negativas o livro era separado para ser dado.

Se quiser, veja a íntegra do artigo Ler pouco.

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    Tags: O prazer de ler

    10 comentários até agora ↓

    • 1 Mônica // 26 4 2007 às 15:47

      Eu por várias vezes me percebi parada em frente aos meus livros, a olhá-los sem saber muito porque, vai ver eu estava querendo essa resposta se o amor é recíproco. Mas não saberia onde encontrar a resposta, estaria ela em algum lugar? Nas próprias páginas de algum deles? …
      Eu amo todos os livros que tenho, e a cada dia adquiro mais, nunca pensei em me desfazer, adoro emprestar a quem tem a “carteirinha”.rss. Incentivo à leitura.
      Amo todos, desde àquele mais singelo, em capa encardida com um amassado na dobra, a aquele luxuoso, de capa reluzente. Mas antes de amar a eles, amo mais ainda as entrelinhas e principalmente as que estão entre “aspas”.
      Belo tema.

    • 2 Alessandro Martins // 26 4 2007 às 17:19

      Acho que é sobre isso mesmo que ele está falando, Mônica. E com o tempo, quando você for uma leitora experiente, certamente saberá quais exatamente presentear com seu tempo e seu espaço, e quais exatamente presentear com os olhos daqueles para quem eles serão mais úteis. Afinal: “Um homem que diz amar todas as mulheres na verdade não ama nenhuma. Nunca se apaixonará. O mesmo vale para os livros.” Recomendo a leitura do artigo completo…

      Grandes beijos,
      do Ale.

    • 3 Lenira Almeida Heck // 27 4 2007 às 10:12

      Olá Ale,

      Interessante o artigo sobre o amor dos livros por nós. Nunca o havia analisado sob esse prisma. Mas faz sentido; para um livro permanecer conosco deve haver amor mútuo. Ele precisa nos seduzir pelas suas linhas e entrelinhas. Eu gosto tanto de ler, que ao final de cada leitura eu me deixo seduzir pela magia das entre linhas. Sou apaixonada inveterada da literatura, por isso, escolho com carinho o livro que passará horas do meu lado falando comigo tanto que, após terminar a leitura, geralmente, nos tornamos amigos.
      Livro é como novela, quando termina têm que deixar saudade, se não deixou é porque não nos tocou, logo, não nos amou.
      Abraços,

    • 4 _Maga // 27 4 2007 às 23:52

      Ummm gostei disso…

      Em geral faço isso com quase tudo. Livros tenho poucos, pouquissimos, por isso esse não é o meu dilema.

      Mas vou contar uma coisa: algumas das melhores fases da minha vida passei quando tinha pouquissimas coisas por perto.

      Beijos

      ps.: lembrei que já escrevi um post no blog sobre isso, te mando por e-mail. bjos

    • 5 Li // 28 4 2007 às 8:41

      Tudo que tenho, preciso amar. Mas nem tudo me ama.
      Talvez seja por isso que existem uns livros lá na minha estante que… na verdade, aqueles não são meus.
      Os meus livros, eu amo. E tenho uma relação com eles como a que tem Lenira Almeida Heck. Afinal quem está ao nosso lado, deve ser “alguém” que nos goste pelo menos. E sentir saudades é uma prova de que fomos amados…. não sentimos saudades de quem não nos fez bem.

      Não tenho muitos livros, mas amo todos que tenho. (Acho que já ouvi essa frase…)

      Beijinho

      Li.

    • 6 Alessandro Martins // 28 4 2007 às 12:52

      Às vezes o livro fica guardado sem que precisemos guardá-lo, certo, Lenira? Beijos!

    • 7 Alessandro Martins // 28 4 2007 às 12:53

      Realmente, Maga… de verdade, a gente precisa de muito pouca coisa para ser feliz. Acho que o lance é depurar e não acrescentar… beijos!

    • 8 Alessandro Martins // 28 4 2007 às 12:54

      Eu também tenho procurado ter poucos livros… mas não adianta… parece que eles brotam do chão, Li… Beijos!

    • 9 Anna // 18 8 2007 às 17:44

      Oi Alessandro:
      Li o artigo completo.Muito bom.Bom mesmo.
      E aí a recomendação Júlio Daio Borges,é perfeita:”Fale só se for acrescentar alguma coisa à conversação.”
      Abraço

    • 10 Lady Cronopio // 9 10 2007 às 8:28

      Artigo irretocável!
      Amo meus trezentos e poucos livros, mas nunca pensei na dualidade da relação… Como mudei de cidade há 2 meses, ainda estou “transportando” meus amores aos poucos, mas parei para pensar e reconheço que esta unilateralidade me confundiu… os livros que não consegui emprestar/doar, foram aqueles que também me amaram. Aqueles que mal e mal consegui terminar de ler, ou aqueles os quais terminando a leitura já doei para uma leitora ávida que tenho como amiga e que infelizmente não dispõe de condições para adquirir livros com a mesma velocidade com que lê, sem dúvida não me amavam. E eu pensando que em mim residia alguma falha na leitura, insisti em “revisões” de alguns até cansar.
      Enfim…
      Belo e esclarecedor.
      Como sempre.

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