Paulo Autran ensina como, sozinho, ocupar todo o palco de um teatro

10 3 2007 por Alessandro Martins · 9 comentários

Você pode escutar Paulo Autran recitar crônicas de escritores brasileiros em sua coluna Quadrante, da Band News FM, através do link indicado pelo Thássius. Como o Thássius explica, a Band News só disponibiliza os dois últimos textos. Mas descobri um blog cujo editor colocou muitas outras edições da coluna em um arquivo no Rapidshare. Divirta-se.

Autran tem na manga um espetáculo, um monólogo, com o mesmo nome dessa coluna. Algo que sempre tem a possibilidade de apresentar com sucesso garantido.

O que posso dizer sobre esse espetáculo é o seguinte. O palco do Teatro Guaíra tem 16 metros de boca de cena e 19 metros de profunidade. O proscênio - região que fica para além das cortinas -, 20 metros. De parede à parede, são 54 metros de largura. O campeão olímpico Carl Lewis, em sua melhor forma, levaria uns 5 segundos para atravessar essa distância.

Autran, sozinho, ocupa todo esse espaço sem precisar se locomover por ele quase nenhuma vez. A luz imóvel sobre ele.

Quando ele sussurra o texto, a velhinha surda da última fileira do segundo balcão consegue escutar como se ele o tivesse dito em seu ouvido.

No dia em que eu vi esse divertidíssimo espetáculo pela primeira vez eu tinha uns 12 anos e fui com o meu pai. Autran em seus sesenta e poucos anos. Na segunda, ele já era um octagenário e eu já tinha 30 anos. Fui com uma ex-namorada muito querida chamada Tati.

Em um dos momentos mais emocionantes, ele recita um poema de Casimiro de Abreu, chamado Meus Oito Anos, uns versos até um tanto piegas, mas que marcaram a vida de muita gente.

Da primeira vez que eu o ouvi recitá-lo, nem ele era um octagenário e nem eu tinha 30 anos.

Certos poemas ganham força e verdade com o tempo.

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    9 comentários até agora ↓

    • 1 Diego // 10 3 2007 às 22:23

      Nossa, ele tá maravilhoso em O avarento!!

      Resposta: Não vi essa… mas ele mostra que, para ser bom, não precisa inventar muito. Basta fazer o feijão com arroz muito bem feito que já é mais que o suficiente.

    • 2 Paulo Polzonoff Jr // 11 3 2007 às 0:29

      Tem que pagar pra baixar o arquivo?

      Resposta: Faz assim: desce até o final e clica no botão em que está escrito “free”. Daí, espera o tempo que estiver marcando no contador e acho que a partir daí não vai ter problema.

      Abraços!

    • 3 Lucas Castro // 11 3 2007 às 1:13

      Certos poemas ganham muita força com o tempo.

      ;D

      Mas só com o tempo enxergamos isso… Adorei o texto, um clima de nostalgia até hehe

      Resposta: Eu ia só avisar do link do Thássius, mas acabei me alongando um pouco mais… Abraços.

    • 4 _Maga // 11 3 2007 às 14:31

      Eu não conheço muito do Paulo e adorei a indicação.

      Como você disse, não precisa inventar muito para fazer uma boa atuação.
      Isso me lembrou duas coisas:
      - Uma vez li em algum lugar um antigo ator americano zombando da forma como os atores se preparam hoje para fazer um filme, a saber: se vão interpretar um maratonista, viram um maratonista, se vão interpretar um pianista, viram um pianista… então o tal ator disse o seguinte: bobagem, um bom ator simplesmente vai lá e interpreta o seu papel. - isso me fez pensar um bocado, não que a preparação seja dispensavel, mas realmente um bom ator convence que é negro mesmo sendo loiro pela sua atuação. rs
      - Ano passado a pior peça que vi no FILO ( http://www.filo.art.br ) foi a mais produzida. Foi simplesmente horrivel e tudo era em estilo de super produção: toneladas de areia no palco, 4 linguas sendo faladas no palco, uma nudez de uns 10 atores (nunca uma nudez foi tão indiferente), uma banda inteira fazendo a sonoplastia… enfim: tudo over. E over de ruim foi a peça. Anota ai para não ver: Una Madre de Coraje i sus Hijos en la Purgatorio (Karlik Danza e Teatro del Silencio, Espanha/Chile).

      beijos e bom domingo

      Resposta: Algumas das melhores - dentre as poucas - coisas que eu vi foram apresentadas apenas por atores em um palco, sem muita pirotecnia…

      Beijos!

    • 5 Mario // 12 3 2007 às 8:19

      O Autran é um espetáculo em si mesmo. Não precisa de ninguém para dar o show. Interage com a platéia num simples olhar ou num gesto aparentemente espontâneo. Cativa o público com o seu carisma. Interpreta magistralmente. O palco é apenas um acessório. Seria igualmente bom com ou sem cenário. A um só tempo, consegue encantar e emocionar. O timbre da sua voz fala diretamente com a nossa alma. Através dos nossos ouvidos atinge o espírito e conquista até o coração daqueles que não gostam de teatro. Excelente post, Alessandro. Ótima lembrança de um dos mitos do teatro brasileiro. Abraços, Mário.

      Resposta: Uma vez, eu e uns amigos fomos assistir Terra em Transe. E lá pelas tantas o Paulo Autran está fazendo uma interpretação meio histérica, louca mesmo… meu amigo cutuca o outro amigo que estava ao lado dele: meu… esse cara é louco mesmo… só que, na poltrona do outro lado, quem estava? O Paulo Autran… o próprio, que estava na cidade fazendo sei lá o quê.

      Enfim. Coisas que contando ninguém acredita.

    • 6 Lenira Almeida Heck // 13 3 2007 às 21:49

      Ale,
      Tenho uma curiosidade, entre muitas é claro, mas responda-me: Os livros que recomendas, foram lidos anteriormente por ti? É interessante perceber o seu cabedal cultural.
      Cultura é como perfume, se alguém está usando logo percebemos.
      Um abraço, da Lenira.

      Resposta: Alguns eu li, outros são de autores de que gosto - e portanto que gostaria de ler -, outros foram recomendados por pessoas de confiança e outros, sobretudo os da Taschen, são livros de que “gostei da capa”, mas esse critério é meio vago e diz pouco sobre a escolha, rs… mas basicamente é isso. Aos poucos, essa lista deve crescer.

      Beijos!

    • 7 Emilio // 20 9 2007 às 9:29

      Antes acradeco pela forma,que esta explicito a sua pagina.Nao tenho muito comentario,mas gostaria que me envia se materia que fala acerca de teatro.

    • 8 Thássius // 12 10 2007 às 17:40

      Não fui vê-lo naquela época, e agora não terei mais oportunidade semelhante. Como a vida é efêmera…

    • 9 Lady Cronopio // 15 10 2007 às 2:25

      Eu o vi uma vez aqui em Recife.
      Precisava mais, mas nunca esquecerei daquela presença no palco que diante dele se amiudava.

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