Vai parecer mercantilismo descarado - e talvez seja um pouco, sim -, mas ao menos é sincero: uma das minhas partes preferidas no Submarino é a área de obras raras. Eu não estaria falando sobre ela pra você se não fosse realmente interessante. Lembro de ter perdido uns bons minutos por ali.
Não que eu queira comprar aqueles livros, documentos, fotografias e mapas caríssimos. Mas todos eles são muito curiosos.
Gosto até, só por diversão, de ver o preço estratosférico dos itens e comparar o que vale mais na seção de documentos:
- uma carta escrita de próprio punho por Ayrton Senna;
- uma carta do pintor Cândido Portinari;
- uma carta rabiscada pelo compositor Carlos Gomes;
- uma carta de Euclides da Cunha;
- esta incrível contabilidade de obras de João Cabral de Mello Neto elaborada pelo próprio ou
- um singelo passaporte de escravo.
Mas as curiosidades não param por aí. O que dizer, na seção de mapas, de:
- Um autêntico mapa do Brasil datado de 1862?
- Um mapa do Rio de Janeiro em 1740?
E os livros? Será que o autor de A História do Café no Brasil imaginava que a sua obra chegaria a valer tanto?
Mas nem tudo é inacessível, caso você seja um candidato a colecionador, como comprovam os preços da seção de livros. Se você for do tipo mórbido - e tiver R$ 200 sobrando - pode querer começar justamente por um livro que se dedica à doença de Machado de Assis. O único senão da seção de livros é uma certa dificuldade de navegação.
Na área de obras raras eu também recomendo uma visita às seções de:
- gravuras: com diversas curiosidades.
- fotografias: com muitas fotografias antigas de cidades, principalmente do Rio de Janeiro.
- e a Sala Pedro Corrêa do Lago: com livros realmente caros.
Para mim, é inevitável imaginar, em meio a tantas modernidades da internet, que o encarregado desse setor seja um velhinho mirrado e de cabelos muito brancos, mas com um terno muito bem cortado. E, a cada encomenda, ele chama o seu assistente, tocando nervosamente aquela campanhia de balcão e carimbando algum livro empoeirado de registro:
- Juarez! Juarez! Encaixote essa fotografia antiga do Rio. É um pedido urgente lá do Paraná. Melhor mandar por via aérea. Precisa chegar até semana que vem.
Serviço
Compare o preço de livros sobre antigüidades e coleções.
4 comentários até agora ↓
1 leanDrow // 5 3 2007 às 18:09
Colecionador é colecionador.
No entanto a carta do Senna só me faz lembrar que a F1 está chegando… eita vício.
Resposta: Eu sei que não há muitas razões estatísticas e esportivas pra isso, mas eu sempre gostei mais do Piquet…
Abraços!
2 _Maga // 6 3 2007 às 0:35
Realmente, peculiar…
Mas sabe o que achei mais interessante? A tua descrição de como funcionaria o sistema de organização deles…
Se Drummond fosse vivo, boberia de ele estar lá, arquivando tudo isso… rs
beijos
Resposta: Eu não podia deixar de viajar um pouco na maioneggs.
3 Ana Cláudia Bessa // 6 3 2007 às 0:44
Alessandro,
achei interessantíssimo navegar nesta seção cuja existência eu nem sonhava.
Não pude deixar de pensar em quanto meu netos poderão ganhar um dia com o monte de fotos que sempre tiro nos meus passeios. ..risos…
Afinal, no ano de 2200 vão adorar ver como era o Rio antes do ano 2000.
Resposta: Eu sabia que devia ter guardado aquelas fotos que fiz quando era criança… rs…
Beijos!
4 Neto Cury // 7 3 2007 às 6:53
E eu nem sabia da existência de tal seção….
Resposta: Eu é que sou um verdadeiro fução… acabo descobrindo cada buraco nos sites… digo, no bom sentido…
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