Hunter S. Thompson e como é estranho e bom ser pago para se divertir

28 1 2007 por Alessandro Martins · 8 comentários

E, como íamos dizendo, a diferença entre escrever porque é preciso e escrever porque se gosta (ou porque a necessidade está no escrever em si, ainda que seja uma ânsia) é quase a mesma diferença que há entre o escrever sobre o que se gosta e o escrever sobre o que desejam os mecanismos de busca ou outras forças obscuras. Se for para ter patrão, prefiro um de carne e osso. A opção de não ter um é melhor, no entanto. Por enquanto, porém, isso ainda não é realidade. Estamos trabalhando pra que seja.

Nada é divertido quando você precisa fazer aquilo - muitas vezes, dia sim e o outro também - para não ser despejado. Com o tempo enche o saco. Então é um negócio bem raro um escritor trancado em casa, que paga aluguel, se meter com um trampo que, mesmo em retrospecto, foi uma tiração de sarro fabulosa e enlouquecida do começo ao fim… e ainda por cima ser pago para escrever esse tipo de enrolação doentia, olha, parece realmente estranho.

É Hunter S. Thompson contando como foi legal escrever Medo e Delírio em Las Vegas nos intervalos da redação de uma matéria mais cabeluda e ainda ter sido pago por isso, no livro A Grande Caçada aos Tubarões.

Não quero outra coisa. Divertir-me e ainda ser pago por isso. É uma opção que faço agora antes de ser obrigado por um patrão invisível, a escrever sobre o que deseja um abstrato mecanismo de busca.

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    Tags: O prazer de escrever

    8 comentários até agora ↓

    • 1 Fabiana // 28 1 2007 às 17:22

      Eu sempre gostei de escrever. Mesmo que fosse qualquer bobagem. Acho um exercício e tanto pra mente.

      Resposta: Dizem que, para escrever bem, é preciso ler muito. Não duvido. Está certo. Mas ninguém consegue escrever bem sem… escrever.

    • 2 leanDrow // 28 1 2007 às 17:25

      Ser pago por fazer algo que se gosta é o sonho de muitas pessoas, e não é pra menos.

      Espero que pra mim não seja apenas um sonho, e sim que se concretize.

      Abraços Alessandro

      Resposta: Já é um bom começo, não? 

    • 3 Thássius Veloso // 29 1 2007 às 1:52

      Alessandro, discordo de você. Um mecanismo de busca não é um ser personificado que decide o que mostrar para o outro, mas sim uma seqüência de códigos que exibe na tela o que uma pessoa busca. Ou seja, ao escrever para “um abstrato mecanismo de busca”, está na verdade escrevendo para ser lido pelo que o público busca.

      Ainda assim, é chato. Quanto mais num país que as pessoas buscam por coisas burras e fúteis. E como um programa de fofocas de celebridade: faz-se a reportagem, vende os comerciais e ganha o dinheiro. Mas, no fim de tudo, vale à pena? Eu acho que não.

      Por isso que quero para o meu blog independência (que já tenho; pago por isso) para falar sobre o que quiser, a qualquer tempo, sem precisar agradar ninguém. Tenho público por escrever com originalidade (sem falsa modéstia) e não por escrever sobre o que o zé povinho medíocre quer. É o caminho mais difícil, mas ainda assim não é impossível. Estou muito feliz assim.

      Resposta: Entendi seu ponto de vista… de fato, existem pessoas - esses seres de carne e osso, pensamentos e sentimentos que teclam nos mecanismos de busca querendo encontrar algo -, mas também existe uma diferença entre escrever para elas, as pessoas, e escrever para os mecanismos de busca. Se formos usar a metáfora de que cada artigo ou post é uma garrafa jogada ao mar com uma mensagem dentro, a diferença entre escrever dessas duas formas está entre enviar uma mensagem para que alguém a encontre em uma praia distante ou apenas enviar uma garrafa - várias, que poluirão a orla - para que alguém a encontre e jogue fora aquele papel inútil que está dentro dela e fique apenas com o recipiente.

      No mais, ao menos um leitor certo você já tem.

      Abraços!

    • 4 Djabal // 29 1 2007 às 7:44

      Aprofundar a palavra. Esse é o segredo. Viver por ela e para ela. Se fundir na escrita como Glenn Gould se fundiu ao seu piano. Como o Homem Urso se fundiu com os seus, lá no Alaska (Filme de Werner Herzog - Grizzly Man) . Parece que não há alternativa. Tenho a impressão que a fusão, no seu caso, com a palavra o fará uma pessoa diferente, que a cada dia que passa será mais admirado e confundido com ela, a tal ponto que, ao lembrarmos que ela existe voltaremos o rosto para você.
      Todos eles viveram e muito bem. Cada um a sua maneira, com suas dívidas que nunca foram pagas (Balzac), com suas reminiscências (Proust), com seus inimigos (Mozart). Deixe de se importar com o resto. Parece difícil isso, não ? Mas viver também o é. E muito. Pois viva feliz . É só o começo. Eu o apoiarei. Melhor dizendo nos o apoiaremos.

      Resposta: Obrigado! Sinto muita confiança em suas palavras e nem sei se tenho como retribuir tamanho estímulo.

      Abraços!

      PS - Por que não disse que tinha site? Já assinei o feed. 

    • 5 Roberto José da Silva // 14 3 2007 às 4:33

      Hunter S. Thompson meteu uma bala na cabeça e fim de papo. Enquanto viveu, sacudiu a poeira da mesmice com seu alucinado modo de reportar o que via e, principalmente, sentia. Rodou o mundo. Aportou in Rio para ser correspondente da Newsweek. Tomou todas as drogas possíveis. Sua relação com a vida era sempre no limite. “Las Vegas na cabeça” foi seu primeiro livro publicado no Brasil. Uma pancada alucinada que fez os mais certinhos perderem o rebolado ao tentar escrever alguma coisa para o distinto público. Quem escreve para o público lascou-se. Escrever é ato narcisista. Depois, quando se contenta, joga-se para a tigrada e cada um engula da maneira que melhor convier. Ganhar uns trocados para cobrir o estouro no banco, pagar o condomínio atrasado e ter como atender os apelos da filharada, além do pagamento das pensões e ajuda às ex, é o que nos move a aperfeiçoar a datilografia todo dia. Claro que na hora de escrever qualquer coisa, mesmo uma nota sobre o pum que o deputado soltou sem querer enquanto discursava, é um prazer. Porque conversa interna. Com patrão você se obriga. Sem patrão, não sei. Mas sempre temos o patrão. Nós mesmos. E ele cobra. Ah, como cobra!

      Resposta: Sempre um prazer ver você por aqui, Zé Beto! Então, você tem toda razão sobre o que você diz. Sobretudo sobre o patrão interno. De qualquer forma, talvez seja sempre melhor ter um patrão do qual possamos ser mais íntimos… ele, em geral, não liga de, de vez em quando, tirarmos um cochilo durante o expediente… :-)

      Abraços meu caro!

    • 6 su // 1 5 2007 às 15:58

      dentro de uma redação em um feriado. feliz, feliz. pensando se sigo assim ou páro agora antes da vida ficar menos divertida.

    • 7 Alessandro Martins // 2 5 2007 às 9:26

      Bem… ter tempo para escrever em um feriado, acho que isso já é um bom começo ;-) Beijos do Ale, Su.

    • 8 marli // 2 7 2007 às 14:08

      oi!!!!
      nossa eu nao pude estudar minha mae morreu eu tinha 7 anos depois disso nao estudei +
      eu sei um pouco escrever por causa do trabalho
      eu agradeço a Deus pelo pouco que eu sei
      so que eu numca ia imaginar que eu teria que escrever tanto assim
      na empresa que eu entrei tenho que enviar relatori toda semana de tudo o que eu fiz dai
      gente do ceu é uma pau tenho que pedir para um sobrinho meu corrigie meu testo
      é por isso que eu procurei vcs
      para ver se pod me ajudar
      sei la se tem um programa que me ensine
      o ponto final a virgula aonde eu comeco com letras maiuscula
      por favor nao tire sarro nao pe serio
      eu conto com vcs ta
      at+++ aguardo uma resposta suas

      Resposta: A melhor forma de aprender é com o próprio esforço, Marli. Pegue uma gramática e estude a parte de pontuação e as outras que lhe interessarem. Além disso, leia muito. De preferência, literatura de qualidade, ok? Eu sugiro que comece com as crônicas de Rubem Braga e Fernando Sabino. São divertidíssimas e de excelente qualidade.

      Beijos do Alessandro.

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