Quando há senso comum sobre algo, uma das coisas mais divertidas é invertê-lo.
No que diz respeito à relação entre leitor e autor, é moeda corrente dizer que é o leitor quem escolhe estes ou aqueles escritores de acordo com seu gosto e preferências. E, de fato, não há como negar que isso aconteça. Seja nas prateleiras das livrarias e bibliotecas, seja nas páginas dos blogs, sites e lojas virtuais. Mas gosto de pensar que o inverso também acontece.
Quem escreve também escolhe seus leitores.
E é mais simples do que pode parecer. Se eu escrevesse aqui sobre bugigangas tecnológicas e escrevesse bem e de forma atualizada atrairía leitores com esse tipo de interesse. Se eu tratasse de temas culinários com certa constância, os fãs da boa mesa seriam freqüentes por aqui. Cultura pop traria também outro tipo de público.
Chega a ser bobo de tão óbvio.
Alguns assuntos têm mais leitores, outros menos por serem mais restritos. Alguns compartilham leitores com outros, afinal pode haver quem goste de bugigangas tecnológicas, culinária e cultura pop ao mesmo tempo.
A forma com que se apresenta um texto também pode determinar os leitores. Se sou irado e polêmico, atrairei leitores com essa tendência. Se uso gifs animadas e excesso de erros gramaticais com o objetivo de deixar a coisa um pouco mais “fofa” espantarei um tipo de leitor e conduzirei outro até minhas páginas.
Na maior parte das vezes, buscamos leituras que comprovem nossas opiniões ou que construam aquelas que ainda não formatamos com clareza e de maneira coerente com as opiniões já existente. Fazer o quê? Somos humanos. Dificilmente se entra em uma discussão e se sai com idéias diferentes das que se entrou. Discussões em geral são desperdícios de energia. E como, diferentemente de um livro, num sentido mais imediato um blog dá margem a esse tipo de embate prefiro evitá-los.
Não excluindo o sistema de comentários, pois o acho divertidíssimo. Para ele - que merece um artigo exclusivo - basta o sistema de moderação.
O plano, na verdade, é afastar os chatos, os xaropes, os malas e afins ignorando-os. Não falo da falta de educação comum nos blogs brasileiros em que é habitual não responder comentários de forma alguma.
Quero dizer simplesmente que, para evitar formigas, basta no mais das vezes fechar bem o açucareiro. Isto é, não dar assunto ou, pelo menos, não dar o assunto na forma açucarada a que as formigas estão habituadas.
Creio que existem várias formas de blog e esta que adotei certamente é para poucos. Não digo que ela seja boa, que seu conteúdo se salve em absoluto ou que seu autor seja digno do mais mínimo crédito, mas que a sua forma é para poucos isso ela é.
Assim - para permanecermos nos campos entomológicos e alimentícios -, pretendo dizer que talvez seja desnecessário trancafiar bem o açúcar, no meu caso, pois guardo todo ele dentro do saleiro. A maior parte das formigas será enganada. Outras chegarão ao petisco. Mas tudo bem. Você sabe como são as formigas. Uma verdadeira praga.
A exemplo do camarada leitor que mencionei mais acima, também tenho o louvável ou pouco recomendável costume de corroborar minhas hipóteses com palavras vindas mais do alto. Jorge Luis Borges, cujas palestras do livro Borges Oral eu e Júlia lemos recentemente, vai mais longe. Ele diz que quem escreve inventa o seu leitor:
Existe um tipo de leitor dos nossos dias: o leitor de ficções policiais. Esse leitor - que se encontra em todos os países do mundo e se conta por milhões - foi engendrado por Edgar Allan Poe.
Antes de Poe e seus contos esse leitor não existia. Simplesmente isso. Ninguém aqui tem a pretensão de ser um Poe, mas a palestra de Borges vai ficando ainda mais deliciosa.
Vamos supor que este leitor não existe, ou vamos admitir uma coisa porventura mais interessante; vamos admitir que se trata de alguém muito afastado de nós. Pode tratar-se de um persa, de um malaio, de um rústico, de uma criança, alguém a quem dizem que o Quijote é uma novela policial. Vamos supor que essa hipotética personagem tenha lido novelas policiais e comece a ler o Quijote. Que lê ele então? Num lugar da Mancha de cujo nome não quero recordar-me não há muito tempo vivia um fidalgo… e já o noso leitor está cheio de suspeitas, porque o leitor de novelas policiais é um leitor que lê com incredulidade, com desconfianças, com uma suspicácia especial. Se lê, por exemplo: Num lugar da Mancha…, logo supõe que aquilo não aconteceu na Mancha. E logo a seguir: … de cujo nome não quero recordar-me… porque não quis Cervantes lembrar-se? Sem dúvida porque Cervantes era o assassino, o culpado. Continuando a leitura: … não há muito tempo… possivelmente o que sucedeu não será tão aterrador como o que reserva o futuro. A novela policial criou um tipo de leitor.
Olhos de formiga sempre serão olhos de formiga, sem nenhum demérito para o leitor de contos policiais ou para as formigas. Que os ônus de meu discurso venham todos a mim e a quem melhor assentar a carapuça.
Na verdade, em minha busca para encontrar um autor que dissesse algo textualmente sobre a seleção que o autor faz de seus leitores, nada encontrei. Apenas indícios. Um deles foi apresentado por Júlia.
É o prefácio do livro A Nova Heloísa, de Jean Jacques-Russeau.
Lá pelas tantas ele diz:
Este livro não é feito para circular na sociedade e convém a pouquíssimos leitores. O estilo desagradará às pessoas de gosto, o assunto alarmará as pessoas severas, todos os sentimentos não serão naturais para aqueles que não acreditam na virtude. Deve desagradar aos devotos, aos libertinos, aos filósofos, deve chocar as mulheres fáceis e escandalizar as mulheres honestas. A quem agradará, então? Talvez somente a mim: mas certamente não será indiferente a ninguém.
Já disse aqui essa frase que não sei de quem é: como são geniais aqueles que pensam exatamente como nós.
Rousseau segue em seu prefácio excluindo essa e aquela categoria. No final, creio, sobram muito poucos, talvez ninguém.
Ele não está sendo irônico. Não vejo uma falsa humildade, uma forma de defesa de seus escritos nesse texto inicial ou uma forma de se eximir das culpas advindas do que afirma adiante. Creio que ele disse exatamente o que quis dizer.
Exclui assim, já de início, aqueles que realmente não se agradarão de seu texto. Desses, restarão alguns que por curiosidade, desafio ou boa vontade seguirão. Dentre esses, a maioria irá desistir por fastio, raiva ou falta de identificação (se, depois disso alguém continua a ler, é masoquista ou universitário).
E, finalmente, do meio de todos surgirão alguns, mesmo saídos das possibilidades de leitor excluídas pelo filósofo francês.
Não são heróis. São tão somente aqueles para quem o autor escreveu, aqueles a quem ele dirigia a palavra. É uma espécie de funil.
Não tenho a mesma verve de um Rousseau, a inventividade de um Poe ou a erudição de um Borges, mas creio que é isso o que busco.
Se este blog é assim feito e você chegou ao final deste texto, foi justamente para que você chegasse até o fim deste texto que assim fiz este blog.
Você a quem eu dirigia a minha palavra.




15 comentários até agora ↓
1 Fernanda // 27 12 2006 às 16:40
Ironia das ironias é que o Heloísa de Rousseau foi um dos maiores ícones da sua época. Historiadores garantem que os ideais femininos daquele livro permanecem até hoje - para prejuízo de nós, mulheres.
O que mostra que entre o leitores que queremos selecionar e o que realmente selecionamos há uma (fantasmagórica) diferença…
Resposta: É. Pelo jeito, Rousseau soube o que fazer para garantir que os seus escritos chegassem aos leitores ou às leitoras certas. :-)
2 Gino Netto // 27 12 2006 às 16:51
Este tema é bastante discutido entre vários blogs e sempre gera divergencia de opiniões. Você poderá ler o texto entitulado “Para que Tantos Acessos?”, que fala algo sobre o publico alvo que se deseja obter.
link
Abraços e Sucesso!
Gino Netto
Resposta: Oi, Gino… tentei acessar a página que indicou-me mas seja por algum problema lá ou aqui não consegui abri-la. Vou fazê-lo em breve.
Alguns dirão: ora, intentar poucos leitores é uma filosofia fácil de ser seguida. Mas eu responderei que minha intenção não é essa. Não me importo em ter um milhão de visitas únicas diárias desde que sejam feitas pelos “leitores certos”, essa que, pelo visto, tornou-se abstração do dia.
No mais, fiquei ansioso por ler o seu artigo.
3 Vitor Hugo // 27 12 2006 às 19:37
Não coloco minha mão no fogo no que se refere a rede brasileira. Fico horrorizado com as keywords que aparecem no stats do site.
Acesso por acesso, eu também não desejo. Quero sempre ter os leitores certos também… pena que eles não me acham ainda… heheh.
Referenciou-me no texto, =D
Resposta: Ah, sim. Tem os que chegam aleatoreamente ( ! ) por meio do Google. E isso é bom. Pode render cliques no Adsense ou, melhor, um bom leitor dentre mil que assim chegam.
Quanto à referência, acho importante. Li em algum lugar que é um hábito pouco comum entre os blogs brasileiros e que, no entanto, acho muito elegante. Até melhor do que a famosa lista de links, pois está contextualizado e indicado por algum motivo…
Tenho que fazer uma referência ao blog do Thas, seu amigo, uma hora dessas… motivos não faltam.
Estava falando aqui com a Júlia que o seu site é repleto de dicas culinárias. Nós também somos fãs de uma boa cozinha e de receber amigos…
4 Lucas Castro // 27 12 2006 às 23:46
Concordo com relação ao fato do escritor escolher os leitores, contudo discordo um pouco com relação às discussões. Não creio na abstração “perda de energia” para discussões em geral. Acredito que não devemos buscar a polêmica apenas, por polemizar: tudo deve vir acompanhado de argumentos.
É muita coisa para falar sobre isso, não tem como explicar em um comentário apenas…
Resposta: É possível que minhas experiências com discussões não tenham sido tão felizes quanto as suas por eu possuir uma natureza mais cabeça-dura. Ou talvez quando eu pense em discussão esteja falando em uma troca de argumentos não tão gentil… de qualquer forma, talvez as discussões sejam bacanas porque ainda que, no instante, não mudemos de idéia, passemos a conhecer o pensamento de nosso amigo ou oponente e aquelas palavras passam a viver dentro de nós como um veneno - ou antídoto - e sem percebermos elas passem a fazer parte de nossas próprias idéias.
5 Thássius Veloso // 28 12 2006 às 0:00
Referência a mim? Que honra! Nem sei porque, mas agradeço de antemão.
Concordo com o Vitor. Não quero leitores por leitores. Prefiro poucos com comentários interessantes que muitos escrevendo no famoso dialeto “miguxês”. Estatísticamente falando, no semjuízo.com meu site é o que consome menos banda, e imagino que seja o menos acessado. No entanto, acho que é o mais comentado. Isso mal comparando com meus sócios, claro. Fico feliz por isso. Mostra que alguém se interessou por minhas idéias.
Seu blog já se mostrou voltado para as artes literárias e com certeza há público para isso. Já o meu blog é de generalidade, e por isso é muito mais difícil fidelizar o leitor. Há exemplos bons, como o Querido Leitor (da minha amiga Rosana Hermann) ou Contraditorium, mas são bem poucos os que se sustentam.
Resposta: Existe mesmo essa história de que centralizando o assunto você atrai mais leitores do que se falar sobre tudo. Deve ser verdade, porque faz sentido. Mas não necessariamente. Não adianta escrever sobre um assunto só e escrever mal sobre ele, ser deseducado com seus leitores, ser deseducado com eles.
Você já deve ter ouvido falar sobre a história do pato, uma ave que sabe voar, andar e nadar. Voar mal, andar mal e nadar mal. Mas sei lá. Tem funcionado com ele durante os séculos em que sua espécie vem existindo. E eu não acho que ele voe tão mal assim.
Continue fazendo o que você está fazendo e uma hora dessas você encontra seu assunto preferido.
6 Ana Paula // 28 12 2006 às 8:19
“Não falo da falta de educação comum nos blogs brasileiros em que é habitual não responder comentários de forma alguma.”
Opa! Alguém vestiu a carapuça aqui?? Eu? Eu? :)
Brincadeira. Eu sei que tenho que melhorar nesse sentido. Tenho observado muito isso, da interação entre o autor e o leitor. Realemente é importante responder os comentários. Eu tenho minhas dúvidas se responder os comentários no próprio campo do comentário é eficaz. Eu, como leitora, por exemplo, não costumo voltar nos posts onde comentei pra ver se o autor respondeu o meu comentário. E acho que isso depende do tipo de blog também. Por exemplo, o meu que fala muita coisa pessoal, coisas da minha filha. Recebo comentários monossilábicos ou elogiosos. Não vejo porquê responder esse tipo de comentário, certo?
Sobre a relação do tipo de leitor e o conteúdo do blog, não podia concordar mais! De vez em quando me deparo com alguns leitores e me pergunto: será que é esse tipo de leitor que eu quero pra mim? Por que será que esse tipo de leitor comentou aqui? E aí, eu começo a pensar no meu próprio estilo, o que estou fazendo, o que pretendo fazer, etc…
Bem, falei demais! Isso é bom sinal. Vc cativou mais uma leitora. ;)
Resposta: Quando eu comecei com o site Cracatoa Simplesmente Sumiu, eu respondia por e-mail - uma vez que o Movable e o Worpress permitem isso - e no artigo, de maneira que os leitores que tivessem vontade de interagir pudessem ver que isso acontecia, que as respostas, quando possíveis, seriam dadas. Depois, pensei que isso pudesse ser excessivo, e passei a responder apenas por e-mail. Mas sempre respondi. Penso como você que comentários monossilábicos ficam meio sem sentido para responder, mas às vezes um simples “muito obrigado pelo comentário” pode ser um estímulo para o leitor se soltar mais e ficar mais à vontade da próxima vez… agora decidi responder por email e, novamente, no post quando for o caso. Pelo menos por enquanto. Acho que torna a idéia de blog mais divertida e produtiva.
Estou gostando desses comentários gigantes. Acho que fica proporcional com os “posts”…
7 Lucas Castro // 28 12 2006 às 15:28
Alessandro,
Tudo bem que alguns blogueiros sejam realmente muito ocupados para responder todos os seus milhares de comentários, mas eu acho que qualquer esforço neste sentido é extremamente válido. É uma espécie de Valor Agregado parecido lá com ‘aquele’ Atendimento Personalizado. Existem várias empresas que não possuem atendimento personalizado e nem por isso deixo de utilizar seus serviços/produtos. Contudo, sempre dou preferência às que possuem este tipo de atendimento.
Ana,
voltar aos posts comentados é apenas um costume que, a medida que você começa a ver utilizade, você simplesmente o pratica. Na verdade, mesmo sem querer, estamos discutindo opiniões e pontos de vista e isso é mágico : )
Para melhor ilustrar este fato, existem alguns blogs aos quais eu assino o feed dos comentários. Todo e qualquer comentário que alguém faça neste, eu leio, mesmo que seja de um post de anos atrás. Alguém o achou e disse algo, estarei observando. E este é um deles agora!
Resposta: Realmente, como você disse, alguns blogs tem milhares de comentários diários e creio que fica impossível responder todo mundo. Então é compreensível.
Mas olha que legal. Certa vez coloquei um comentário no ProBlogger. O cara recebe milhares de comentários diariamente. E, para minha surpresa, ele respondeu. Algo curto, mas educado que sucintamente respondeu minha dúvida. Creio que por isso ele é “pró”.
No entanto, para blogs de menor fluxo… não custa nada, né? Acho que acaba ficando simpático. Quando é no blogspot eu até entendo porque ele não dá o recurso de o leitor postar seu e-mail, mas o Wordpress e o Movable permitem a resposta. Como você disse, agrega valor e, acima de tudo, é uma nova amizade que pode surgir.
8 Alessandro Martins. » Blog Archive » Como um texto pode ser o ponto de partida de vários outros // 8 1 2007 às 17:47
[...] Fiquei muito feliz com a qualidade e a quantidade de respostas ao artigo Quem escreve escolhe seus leitores. Mostrou-me que é possível obter uma resposta de diferente nível dos leitores. Que são ninguém mais ninguém menos que pessoas a quem também leio. Respostas não melhores, não piores, mas, como já disse, diferentes do que por exemplo as dos leitores que obtenho no Cracatoa Simplesmente Sumiu, site em que - por sua natureza - não sugere o diálogo, embora esteja aberto a ele. [...]
9 Por favor, não tente me converter » aleatório 2.1 // 12 2 2007 às 7:33
[...] Dificilmente os temas abordados aqui se referem à religião, política e futebol. Por gerarem discussões um tanto quanto fervorosas demais, e como já foi dito é o autor que escolhe que tipo de leitor ele quer, né Martins? [...]
10 Rui de Lucca // 28 2 2007 às 11:55
De fato. Eu, por exemplo tento escrever numa cadência fluente para que até um analfabeto funcional venha a me entender. Porque dificilmente alguém engole um texto barroco, ainda mais na internet. Assim considero os o bons textos e assim considero a boa literatura: legível e fluente.
11 Como você trata quem te referencia? » aleatório 2.1 // 30 3 2007 às 8:23
[...] Já teve há algum tempo um meme (?) de como você trata seus leitores/visitantes e quem escreve escolhe seus leitores. [...]
12 8 exercícios divertidos para escrever melhor e com mais criatividade usando seu livro favorito // 3 4 2007 às 9:35
[...] Se a obra fosse de outro gênero: imagine que uma obra originalmente do gênero policial tivesse sido escrita como um romance meloso. Ou um suspense, então, fosse um livro de humor. Jorge Luis Borges faz um belo exercício imaginando que o Dom Quixote é lido por um leitor de livros policiais. A partir daí destaque e reescreva trechos de seu livro preferido buscando uma nova perspectiva. E se A Metamorfose fosse uma obra infantil? Brinque com as possibilidades. [...]
13 Páginas de figurinhas animadas também são blogs » Sobre Blogs // 30 5 2007 às 1:05
[...] a Alessandro Martins, ja citado aqui anteriormente, quem escreve escolhe seus leitores. E isso também vale para os “blogs” das figurinhas: A forma com que se apresenta um [...]
14 Por que só tenho comentaristas que acrescentam | Alessandro Martins - livros e afins // 30 5 2007 às 12:57
[...] raciocínio é o mesmo que apresento no artigo Quem escreve escolhe os seus leitores, invocado hoje pelo Gino [...]
15 Lady Cronopio // 12 12 2007 às 10:45
Este post merece um replay.
Demais Demais!
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