Duas coisas: Casa de Dalton Trevisan pichada e as famigeradas leis de incentivo à cultura

21 12 2006 por Alessandro Martins · 5 comentários

Duas coisas por hoje.

Picharam a casa de Dalton Trevisan. Não os muros ou as paredes - que dão para a rua -, mas o telhado. Isto significa que será preciso trocar as telhas para eliminar o requinte artístico dos autores da façanha.

Como se pode ver, até mesmo delinqüentes buscam os recursos mais engenhosos para a permanência de suas obras.

Agora, o escritor que não sem razão reclama das calçadas de Curitiba em algumas de suas crônicas sobre a cidade, tem mais um motivo para lamentar.

Aqui, uma observação. A Júlia, quando vai trabalhar, passa pela frente da casa dele e me diz que as pedras que estão próximas ao portão são, provavelmente, as mais soltas de todas as calçadas de Curitiba e as que, assim, ao serem pisadas espirram mais barro nas calças dos pedestres depois das chuvas. Pelo menos do caminho que ela percorre com certeza são.

Só essa história de pichação daria uma matéria ou um artigo sobre o assunto, mas deixo a mentes mais elevadas os encargos de tais reflexões sobre vampiros e arte urbana.

A segunda coisa é que, cada vez mais, descubro que não sou o único a pensar o que penso sobre as leis de incentivo à cultura. Veja o que pensa sobre o assunto o escritor Janer Cristaldo, do excelente Uma História Obscena:

Nestes dias em que a nação se escandaliza com o generoso aumento que deputados e senadores concederam a si mesmo, é curioso observar que nenhum cidadão parece se escandalizar com esta vigarice habitual da gente de teatro e de cinema, sempre praticada em nome da cultura. Pior ainda: depois de serem financiados pelo contribuinte, cobram entrada do contribuinte que já pagou, ainda que à revelia, pelo espetáculo. E o contribuinte, qual boi de canga, paga docilmente o ingresso. Sem tugir nem mugir.

O artigo completo fala sobre Cleyde Yaconis, que busca recursos para seu espetáculo mendigando recursos em colunas sociais, segundo o escritor.

O site Cultura e Mercado publicou há algum tempo uma entrevista com Yacoff Sarkovas, especialista e consultor de empresas na área de imagem, sobre o assunto que também se harmoniza com minhas opiniões.

O mesmo Yacoff Sarkovas, que é Presidente da Articultura Comunicação, publicou um artigo sobre o assunto no Estado de São Paulo, em 15 de abril de 2005, que reproduzi no Making Of, do Cracatoa Simplesmente Sumiu.

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    Tags: Notas

    5 comentários até agora ↓

    • 1 aluísio de paula // 21 12 2006 às 9:47

      pichar a casa do dalton é normal. ele não tem privilégios que o poupem desse mal ridículo. mas a condição das calçadas é de fato um crime. idosos e pessoas portadoras de deficência são os que mais sofrem. nossas calçadas vieram abaixo. quanto às leis de incentivo, francamente. e como diz um amigo meu: “pagamos pelos piores filmes produzidos no mundo.” dá-lhe alessandro!

    • 2 Marilena Rubens // 15 1 2007 às 12:19

      Pensei em mandar algum comentário, mas hoje estou com os pensamentos dispersos pelas saudadades do tempo que morei no Embu das artes. Sou curitibana, morei lá e fui convidada a expor naquela feira de artes pelo secretário de turismo que ficou encantado com meus trabalhos e fantasiava em sua mente que os curitibanos são todos poços de cultura, gentileza e educação.

    • 3 Marilena Rubens // 15 1 2007 às 12:20

      Concordo com vocês.

      Resposta: Curitiba não é nenhum paraíso, embora esteja cheia de pessoas interessantes. Também não é nenhum inferno….

      Seja sempre bem-vinda ao meu site, Marilena. Espero que volte sempre….

    • 4 denia // 16 4 2008 às 23:18

      pichar a casa do dalton é normal. ele não tem privilégios que o poupem desse mal ridículo. mas a condição das calçadas é de fato um crime. idosos e pessoas portadoras de deficência são os que mais sofrem. nossas calçadas vieram abaixo. quanto às leis de incentivo, francamente. e como diz um amigo meu: “pagamos pelos piores filmes produzidos no mundo.” dá-lhe alessandro!

    • 5 Alessandro Martins // 17 4 2008 às 9:04

      Estou contigo quanto à lei de incentivo, Denia, muito embora haja filmes que se salvem. Porém, mesmo os bons pecam pelo incentivo ao uso da lei de incentivo… abraços!

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