Um trabalho bem feito no Grande Prêmio Paraná

12 12 2006 por Alessandro Martins · 5 comentários

Eu e Franklin de Freitas fomos escalados para cobrir o Grande Prêmio Paraná 2006, no último domingo. Logo ao chegarmos, vários páreos já haviam transcorrido. O clima de descontração dos visitantes sem compromisso com o esporte contrastava com a tensão dos apostadores graúdos próximos à tribuna de honra.

Treinador tenso

Um deles, no entanto, chamava a atenção. De olho no monitor, era o mais compenetrado. Com um clássico estojo em couro para o binóculo, poderia muito bem estar em uma fotografia da década de 50. Parecia ser o mais interessado na competição e, mesmo sem nenhum cavalo na pista, não desgrudava da tela. Uma boa imagem para ambientar o leitor.

Chegada

O vencedor da prova principal, o Grande Prêmio Paraná, foi o cavalo Fogonaroupa, que liderou de cabo a rabo este que foi o décimo páreo do dia. Na comemoração, o jóquei na primeira coincidência do dia, olhou diretamente para a câmera de Franklin dentre as tantas que registravam o momento.

sozinho

Nas arquibancadas, a agitação já havia cessado quando Franklin resolveu fazer uma imagem geral para mostrar o volume de público que compareceu ao acontecimento. Apenas uma pessoa continuava a comemorar. Apenas depois de analisar a fotografia, já na redação, é que Franklin percebeu isso.

vitoria

Foi quando descobrimos que o homem tão preocupado, cuja presença nos chamou a atenção no início de nosso trabalho, era Luís Roberto Feltran, treinador do animal vencedor.

Isso é para mostrar que um bom trabalho jornalístico depende muitas vezes de um pouco de sorte e também de um pouco de intuição.

Infelizmente, o jornalismo diário de hoje em dia não tem espaço para esse tipo de história. Sabe lá para que tipo de história o jornalismo diário de hoje em dia tem espaço.

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    Tags: Livros e afins

    5 comentários até agora ↓

    • 1 Elitaire // 12 12 2006 às 11:48

      História interessante… para ser repórter fotográfico, além de experiência o profissional deve ter feeling… e isso o Franklin demonstrou ter! Parabéns pelo trabalho!!

    • 2 Aly // 12 12 2006 às 12:01

      Fiquei impressionada com a forma que foi descrito esse trabalho. Consegui visualizar o Grande Prêmio como se estivesse lá! Já conheço alguns trabalhos do Franklin, e a cada dia ele me surpreende mais. Essa é mais uma amostra do execelente profissional que é. Sucesso aos 2!

    • 3 Thássius Veloso // 12 12 2006 às 18:14

      Que narrativa deliciosa. Tá mais pra crônica, mas ainda bem construída e num ritmo próprio

      Alessandro, cada dia me surpreendo mais contigo. Parabéns!

    • 4 Luiz Roberto Feltran // 3 1 2007 às 15:51

      Caro Alessandro:

      Primeiramente parabéns pela reportagem, pois sabemos o quanto é difícil escrever sobre turfe.
      Realmente a ansiedade e nervosismo antes do GP eram muito grandes.
      Porém a felicidade e emoção de vencermos a principal prova do turfe paranaense foram maiores.
      Gostaria de saber como coseguir a foto onde estou recebendo a taça das mãos de Felipe Inckot, bem como saber se existem outras fotos do GP.

      Agradecemos antecipadamente,

      Luiz Roberto Feltran

      Resposta: Fico muito feliz que tenha encontrado esta matéria e, acima de tudo, que tenha gostado. Na verdade, foi fácil achar o assunto dadas todas os golpes de sorte que tivemos enquanto eu o fotógrafo lá estivemos. O turfe, creio, tem todas as doses de drama, tragédia e regozijo humanos que pede uma boa história, e - como eu não sou da área e não entendo nada da parte técnica do esporte - fica mais fácil ver esse lado. Para mim, tudo parecia saído de um filme.

      Quanto às fotos, vou encaminhar seu comentário ao fotógrafo que lá esteve, Franklin de Freitas, e amanhã vou reforçar a ele o seu contato, para que ele possa lhe fornecer as fotos que deseja.

    • 5 ARTHUR VIEIRA // 14 6 2007 às 14:35

      muito legal a reportagem, sobre o melhor treinador de cavalos do Brasil.

      Resposta: Obrigado pelos elogios, Arthur. Volte sempre!

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