Estou aqui a me divirtir com o Dicionário Filosófico de Voltaire. Eis que deparei esta passagem sobre beleza e gostaria de dividi-la com você. Ela diz muito sobre como os artistas vêem a arte hoje e sobre como fazem uma barafunda, complicando o que deveria ser simples, chamando de belo aquilo que é feio, mais das vezes aquilo que é simplesmente chato. Como o verbete é um pouco longo, tomo apenas o excerto que me interessa:
Assistia eu certa vez à representação de uma tragédia em companhia de um filósofo.
— Como é belo! – dizia ele.
— Que viu o sr. de belo?
— O autor atingiu seu fim.
No dia seguinte ele tomou um purgante que lhe fez efeito.
— O purgante atingiu seu fim – disse-lhe eu. – Eis um belo purgante.
Ele compreendeu não se poder dizer que um purgante seja belo, e que para chamar belo a alguma coisa é preciso que nos cause admiração e prazer. Conveio em que a tragédia lhe inspirara estas duas emoções, e que nisso estava o to kalon, o belo.
É simples, meus caros artistas modernos. Mas uma lição ensinada no século 18, pelo visto, ainda não foi aprendida.
Bundões.




2 comentários até agora ↓
1 Fernanda // 24 11 2006 às 23:15
Esse livrinho é mesmo o máximo…
2 As artes plásticas estão decadentes // 5 5 2007 às 16:58
[...] 5 2007 · Sem comentários O filósofo francês Voltaire tem uma opinião clara sobre as artes em geral, em especial as artes plásticas, em seu livro Dicionário [...]
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